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Brasil pode ter o Wi-Fi 6 até o final do ano
Por: Por Luis Osvaldo Grossmann* - 16/07/2020

O Brasil está perto de usar o Wi-Fi 6, e com isso uma nova geração de roteadores domésticos. Até aqui a Anatel vai na linha do que propõe a FCC dos EUA e expandiu em 1,2 GHz o naco de espectro disponível para essa nova onda tecnológica. Mas já há pleitos de operadoras e fornecedores em defesa do modelo europeu, que cortou essa fatia pela metade e sinaliza destinar o resto para a telefonia móvel.

“Recentemente a agência decidiu considerar o uso de 5,925 GHz a 7,125 GHz como sendo de radiação restrita, não licenciada. Adequado, portanto, ao uso para as redes WiFi 6, que é a aplicação massiva de harmonização de escala mais provável. Até o fim de julho estamos fechando a proposta de requisitos técnicos das condições de uso, que serão depois submetidos ao processo de certificação dos novos equipamentos”, explica o superintendente de outorgas e recursos à prestação da Anatel, Vinicius Caram. 

“Estamos no mesmo timing dos Estados Unidos e da Comunidade Europeia. Nos EUA, a promessa é que as vendas de equipamentos WiFi 6 comecem no Natal. No Brasil, nossa expectativa é tentar disponibilizar equipamentos ainda para o final do ano. Mas as condições de uso ainda precisam passar por consulta pública”, completa o superintendente. 

As versões de Wi-Fi em uso se valem da faixa de 2,4 GHz e de 5 GHz. Em maio, a Anatel inclui o mencionado naco de 5,9 a 7,1 GHz na mesma categoria – radiação restrita, espectro não licenciado. Agora vêm as condições de uso, que no caso vão restringir essencialmente a utilização em conexões indoor (VLP e LPI). “Não pode ser outdoor porque no Brasil temos parte da faixa em uso por serviços fixos, fixos por satélite e SARC, em 6,4 GHz, 6,5 GHz e 6,7 GHz”, explica Caram. 

Pela forma como adotado pela Anatel, essa destinação também permite uso pelo chamado 5G NR-U, de ‘new radio unlicensed’, mas isso depende de avanços na tecnologia de alocação dinâmica de espectro e do chamado automatad frequency coordination. Mas já existe movimento das operadoras de telefonia celular para ficar com um pedaço desse espectro. 

“A Europa optou neste primeiro momento em consignar apenas uma parte dessa faixa, que no Brasil e nos EUA vão até 7,125 GHz. Preferiram deixar 5,925 a 6,425 GHz como radiação restrita, e promover o WiFi 6 inicialmente em apenas 500 MHz. Na prática seguindo o que a indústria está propondo, uma vez que o IMT quer fazer uso desse espectro como licenciado”, adianta o superintendente de outorgas da Anatel. 

A proposta, levada à União Internacional das Telecomunicações é discutir o uso desse pedaço do espectro pelo IMT – ou seja, as tecnologias móveis – na WRC de 2023. E segundo Caram, movimento na mesma direção já chegou ao Brasil, com pedidos semelhantes ao regulador.  “As prestadoras e a indústria estão batendo na porta da Anatel para rediscutir a destinação desses 1,2 GHz para não licenciado, entendendo ser razoável revisitar e seguir a linha europeia, deixando metade para radiação restrita e esperar o que vai acontecer", completa Caram.

*Luis Osvaldo Grossmann é repórter do Convergência Digital

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