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Cabo submarino SACS começa a ser instalado em Fortaleza
Por: Redação - 23/02/2018

O cabo submarino South Altantic Cables System (SACS) chegou à Praia do Futuro, em Fortaleza, após percorrer 6,3 mil quilômetros pelo leito do Atlântico, partindo de Sangano, na costa angolana. Construído pela japonesa NEC, o SACS é o primeiro cabo submarino a ser instalado no Atlântico Sul, ligando a África à América do Sul. Possui capacidade de comunicação de pelo menos 40Tb/s.

Em nota, António Nunes, CEO da Angola Cables, destacou que o SACS é mais que um projeto de infraestruturas submarinas de telecomunicações. Para ele, trata-se de uma ponte digital que liga o hemisfério Sul e que proporcionará para Brasil e Angola o surgimento de diversos negócios relacionados com a quarta industrialização.

O investimento realizado pela Angola Cables, com este cabo submarino e com as demais infraestruturas de telecomunicações, como o cabo Monet e o datacenter de Fortaleza, tem como objetivo potencializar a oportunidade de criação de valor, disse o CEO. “A partir de agora, Brasil e Angola estarão a oferecer ao mundo uma rota alternativa de acesso aos Estados Unidos, um dos maiores produtores de todo o tipo de conteúdos globais, mas também à Ásia, uma das maiores regiões demográficas do planeta”, diz o CEO em nota.

Presente ao evento que marcou a chegada do cabo, o governador do Ceará, Camilo Santana (PT), afirmou não ter dúvidas de que com o SACS passa a inserir o Ceará para o mundo em uma conexão digital, com competitividade de mercado pela proximidade que terá agora com a África e com a Europa, sem depender do continente norte-americano. Santana acredita que o cabo vai atrair grandes investimentos para Fortaleza e para o Estado e que será um grande centro de oportunidades para o cearense.

O SACS foi projetado e desenvolvido para atender à crescente demanda de dados das próximas gerações, motivado pelos serviços de streaming, incremento da produção de conteúdos e pelos avanços da Internet das Coisas.  Ele chega com a perspectiva de trazer uma série de benefícios como redução de custos, aumento da velocidade de transmissão dos dados e melhoria na qualidade do acesso à informação, bem como disponibilizar maior capacidade de tráfego e assim incrementar o número de usuários de internet.  

A instalação do SACS em alto mar levou cerca de dois meses e envolveu a participação de engenheiros, profissionais de TI e mergulhadores profissionais para que o cabo realmente fosse fixado com segurança em solo marítimo. Com a etapa da chegada do SACS concluída, a Angola Cables passará a cuidar do processo de aterramento do cabo, instalação na sua estação, localizada na Praia do Futuro, realização de uma série de testes e, por fim, sua conexão no datacenter de Fortaleza, que se encontra em fase adiantada de construção. A previsão para início das operações do SACS está mantida para o primeiro semestre desse ano.

Memorando

Além da chegada do SACS à Fortaleza, o evento marcou a assinatura de um memorando de entendimentos tendo em vista a cooperação entre o governo do Ceará e a Angola Cables, a fim de viabilizar a infraestrutura que interligará o datacenter  de Fortaleza ao Complexo Industrial do Pecém, permitindo o desenvolvimento regional no campo das telecomunicações.  

A Angola Cables conta com outros dois grandes empreendimentos no Brasil, totalizando US$ 300 milhões em investimentos. São eles: o cabo Monet, já em operação, conectando Miami, nos Estados Unidos a Santos, passando também por Fortaleza. E o segundo projeto é a construção de um datacenter internacional, em Fortaleza, que será um agregador de cabos submarinos de fibra óptica e tem previsão de início das operações no fim do primeiro semestre deste ano.

Quando toda a rede internacional estiver concluída, Nunes ressalta que haverá uma grande mudança nas telecomunicações globais, já que a troca de dados intercontinentais passará a ser mais rápida levando cinco vezes menos o tempo atual para que o continente africano tenha acesso aos conteúdos produzidos nas Américas, região que concentra os maiores centros de produção do mundo.

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