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Com custo estimado em R$ 1 bilhão, programa Amazônia Conectada avança lentamente
Por: Roberta Prescott - 07/12/2016

Ainda é lenta a construção da rede de fibra ótica que levará conectividade internet banda larga à população da região amazônica, projeto que tem custo total para a construção das cinco infovias nos rios Solimões, Negro, Madeira, Juruá e Purús previsto em R$ 1 bilhão, conforme explicou Marco Aurélio Montoro Filho, da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), em palestra durante o IX (PTT) Fórum 10, encontro dos Sistemas Autônomos da Internet no Brasil.

Apenas uma parte do que será da primeira das cinco infovias planejadas dentro do programa Amazônia Conectada foi entregue. Duzentos e trinta e cinco quilômetros de cabos de fibra ótica foram lançados em março deste ano no trecho entre Coari e Tefé no rio Solimões. O trajeto total da infovia Solimões interligará Manaus e Tabatinga com 1.600 km de extensão e investimentos estimados em R$ 300 milhões. 

A conclusão dos demais trechos da infovia Solimões está prevista para o fim de 2017, no entanto, ainda depende de licitações para escolha da empresa que fornecerá os cabos e daquela que fará o lançamento deles para o trecho Manaus – Coari. 

No caso do trecho entre Coari e Tefé, a Nexans, da Noruega, forneceu os cabos, enquanto a Aquamar, de Manaus, ficou responsável pelo lançamento dos mesmos. O sistema óptico foi da Padtec, de Campinas.

O Programa Amazônia Conectada pretende implantar um backbone de fibra óptica com quase 8 mil quilômetros de extensão, lançado nos leitos dos afluentes da bacia amazônica. O objetivo é levar a conexão à internet para a população ribeirinha, incluindo órgãos públicos, unidades de ensino, organizações militares, entre outros.

Amazônia Conectada

O projeto colaborativo conta com esforços do Exército brasileiro, Rede Nacional de Ensino e Pesquisa, governo do Amazonas, Prodam, Telebras, Ipaam, Universidade Estadual do Amazonas, Eletronorte e Tribunal de Justiça Do Amazonas.

Atualmente, as empresas que têm presença na região possuem cobertura limitada. De acordo com Montoro, em boa parte da Amazônia, a única solução é o uso de comunicações via satélite, que é caro. Existem também poucas rotas de fibra ótica na região, sendo quase nenhuma em sua parte ocidental.

O cabo de fibra ótica fluvial visa a atender diversas demandas, tais como aumentar a capacidade de transferência de informações e prover internet de qualidade e infraestrutura de comunicação unificada e com capacidade e disponibilidade. A opção de passar o cabo nos rios foi escolhida porque representa menor agressão ao meio ambiente se comparado as alternativas convencionais, como estradas.

Lições aprendidas

O projeto piloto de passar rede de fibra ótica entre Coari e Tefé deixou algumas lições para os próximos lançamentos. Marco Aurélio Montoro Filho, da RNP, contou que enquanto a embarcação viajava alguns obstáculos apareceram na frente, como troncos de árvore com mais de sete metros de comprimento. Além disto, faltou iluminação em volta da embarcação e por isto embarcações de apoio foram andando em ziguezague na frente para garantir que caminho estava livre.

Em agosto, ocorreu o primeiro rompimento do cabo. Uma embarcação a serviço da Petrobrás lançou âncora sobre o cabo óptico, danificando-o. O cabo óptico enroscou na âncora da embarcação e o movimento para soltar a âncora do cabo danificou aproximadamente 800 metros dele. Montoro Filho disse que a emenda está finalizada, aguardando lançamento.

Para o trecho Coari—Tefé, foram lançados 235 km de cabos, sendo que cada metro do cabo pesava 18 kg. A embarcação que trafegou no rio fazendo o lançamento levou um total de 300 mil metros de cabos. Foram 58 horas de lançamento, uma média de 4 km de cabo lançado por hora.    

O IX (PTT) Fórum 10, encontro dos Sistemas Autônomos da Internet no Brasil, ocorre na VI Semana de Infraestrutura da Internet no Brasil, evento realizado entre os dias 5 e 9 de dezembro em São Paulo. 

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