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Convenção Abranet: Brasil pode tirar proveito de rivalidade EUA e China
Por: Roberta Prescott, de Trancoso - 11/04/2019

Há oportunidade de o Brasil tomar proveito da rivalidade que se instala entre Estados Unidos e China. Em sua palestra na Convenção Abranet, que reúne as principais presatadoras de serivços de telecom e de internet em Trancoso, na Bahia, até sábado (13/4), o sociólogo Demétrio Magnoli destacou que o País tem a chance de se aproveitar da disputa entre China e EUA, mas, para conseguir acordos favoráveis, não pode tomar posição e deve assumir um posicionamento ativamente neutro na política nacional, fazendo uma política pendular.

“Se queremos ter lugar na vanguarda tecnológica em privacidade de dados, por exemplo, teríamos de trabalhar com os europeus; se queremos estar na frente no campo da infraestrutura, a discussão é com os chineses”, disse o colunista da Folha de São Paulo e comentarista de política e assuntos internacionais da GloboNews. Magnoli lembrou a plateia que, nestes 100 dias de governo, a política externa de Jair Bolsonaro demostrou alinhamento aos Estados Unidos. “Mas a China é de longe o maior parceiro comercial do Brasil, 33% de tudo que o Brasil exporta vai para China, que também tem possibilidade de aparecer como grande investir externo em infraestrutura no País.”

Após explicar os fatores que levaram à ascensão de partidos nacionalistas e antiglobalização, Magnoli ressaltou que as empresas de tecnologia precisam estar atentas ao levante internacional contra a globalização. “Este levante antiglobalização se choca com a tendência econômica profunda que é a globalização. Não sabemos quem vencerá esta guerra. Mas os governos não podem fazer o que querem, porque as economias estão entrelaçadas. EUA não podem fechar as portas ao México, Canadá ou China sem ferir a sua economia”, apontou.

Magnoli lembrou que a base política externa dos Estados Unidos remonta aos anos 1970 quando o presidente Richard Nixon estabeleceu as bases da política fazendo uma aproximação com a China comunista em rivalidade com a antiga União Soviética. Esta diplomacia virou com a entrada de Donald Trump, que se aproxima à Rússia de Vladimir Putin em rivalidade com a China, que, ao longo das décadas, virou uma potência mundial.

Para ele, a rivalidade entre EUA e China tem três dimensões: comercial (Trump se declama o ‘homem-tarifa’e tem a utopia do renascimento da indústria tradicional nos EUA); a dimensão militar; e a dimensão das infraestruturas de comunicações de redes e tecnologia 5G, que está ligada à segurança nacional e militar. “Quem controla a rede de comunicação e redes de infraestrutura terá vantagem militar. Não é assunto apenas econômico, mas ligado à segurança nacional”, enfatizou.

Ele assinalou que, seguindo as restrições que alguns países colocaram aos equipamentos chineses na instalação de redes da quinta geração, os Estados Unidos poderiam impor sanções secundárias aos países que usarem tecnologias chinesas, o que poderia se aprofundar caso o atual presidente dos EUA seja reeleito. Assistam a entrevista com o sociólogo Demétrio Magnoli.

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