Publicada em: 03/10/2017 às 08:12
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FUTURENET 2017: Apenas uma boa ideia não garante sucesso de startup de tecnologia
Roberta Prescott

Ter uma boa ideia não basta para lançar startup e obter sucesso com ela. É preciso elaborar um plano de negócios e conseguir executá-lo. A opinião foi compartilhada por diversos participantes do painel “A internet e a inovação — startups, investidores, aceleradoras e corporações”, mediado por Dorian Guimarães, presidente da Isat, durante o Futurenet 2017. O evento, realizado pela Abranet, ocorreu nessa segunda-feira (2/10) na Futurecom, em São Paulo.

Um dos alertas principais foi dado por Guilherme Ralisch, consultor do Sebrae-SP. “Empreendedor de startup é parte do nosso público-alvo. Vemos muitos empreendedores nascendo e a possibilidade de empreender com tecnologia é muito disseminada. Mas tem muita gente iludida com startups, porque acha que é fácil montar e acha que vai ficar rico. Não é assim, as startups têm uma jornada longa e árdua, que leva uns dois anos até ter o produto”, ressaltou.

Na busca por capital, os empreendedores podem recorrer a fundos de investimentos e também a aceleradoras que podem ajudá-las a avançar mais rapidamente. Marcelo Sato, da Astella Investimentos Partner, explicou que o fundo foca em empresas que já têm produto. “Venture capital é uma classe ainda pouco conhecida no Brasil”, acrescentou. Já a Liga Ventures, como detalhou Rogério Tamassia, conecta grandes empesas com startups para gerar negócios. “As grandes empresas descobriram que as startups podem ser meio de inovação aberta, em vez de fazer em casa, e que com isto elas ganham velocidade.”

Do lado das companhias, José Eduardo Velloso, engenheiro de tecnologia e inovação da Bosch, destacou que a empresa se adaptou para começar a trabalhar com startups. “Comparado com 30 anos atrás mostra como a Bosh está se reinventando para ser a maior empresa de IoT e para isto está adotando modelo de ter startups internas”, disse. Avançada na interação com startups, a Qualcomm vem trabalhando com startups seja licenciando suas tecnologias para empresas que tenham interesse em desenvolver soluções com base nela seja investindo em firmas em qualquer estágio de desenvolvimento, explicou Jorge de Paula Costa Avila, diretor-sênior de desenvolvimento de negócios na Qualcomm.

Atualmente, em decorrência da disseminação da tecnologia e da internet acessível, muitas startups focam em preencher lacunas de tecnologia. Mas nem toda ideia é válida. “Buscamos disrupção em cima da internet”, resumiu Marcelo Sato. O diferencial na solução é algo que o Sebrae reforça para os empreendedores. Apostando no potencial da internet, a Liga Ventures criou uma vertical para tecnologias emergentes. “O mercado de startups de tecnologia emergentes já está ficando robusto; tem uma centena de startups já trabalhando nisto e com clientes”, disse Rogério Tamassia.

No entanto, de acordo com Guilherme Ralisch, é preciso que a ideia aporte uma perspectiva diferente. “O chama atenção para gente é a falta diferencial tecnológico de grande parte das startups. Elas estão apenas buscando conectar, por exemplo, comprador e vendedor. Se não tem diferencial tecnológico e é igual às demais, a chance de conseguir uma parcela do mercado é bem difícil. Há também barreiras técnicas com gente que quer empreender me tecnologia, mas sem sócio com domínio de tecnologia”, frisa Ralisch.  

Ele contou que ainda encontra muito empreendedor apaixonado pela ideia e disse que isto pode ser nocivo e que é preciso passar pela trilha de validação para entender se a ideia é realmente válida para um negócio. “É muito diferente abrir restaurante e uma startup de tecnologia”, disse, lembrando que a validação do projeto tem de ser feito de maneira formal e não apenas perguntando no círculo de amigos e familiares. “Existe uma distancia grande entre as pessoas falarem que gostam da ideia e realmente usar, por isto, tem de trazer avaliação mais criteriosa para ver se faz sentido investir. Tem de sair da mentalidade de ser visionário, de ter uma ideia e achá-la maravilhosa sem olhar para o mercado e sem ter o pé o chão.”

Nesta linha, Sato, da Astella Investimentos Partner, ressaltou que depois do processo de validão, é preciso ter capacidade de execução, ou seja, de entregar o que prometeu. “O empreendedor tem de ter uma ideia boa, mas a capacidade de execução tem muito mais valor que ideia”, apontou. Sato revelou que o fundo faz investimentos entre R$ 2 milhões e R$ 4 milhões e as empresas candidatas passam por todo o processo normal de due diligence. Além disto, são levados em conta aspectos como se o mercado vai ser atraente e tem potencial.    


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