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Facebook se aproxima de pequenos prestadores de Internet no Brasil
Por: Luis Osvaldo Grossmann* - 28/08/2019

O Facebook realizou nesta terça, 27/8, em Brasília, um encontro com especialistas, empreendedores e gestores públicos para discutir estratégias de conectividade aos ainda desconectados. E anunciou que debutou no Brasil, em um primeiro teste global, uma nova ferramenta voltada a provedores locais para viabilizar redes multisserviço com custos compatíveis com o porte de pequenos provedores. 

“Hoje uma operadora móvel que queira estender para uma área rural tem que enfrentar o custo do transporte de uma rede proprietária até seu core e integrar esse tráfego, o que envolve valores significativos. O conceito por trás do software Magma permite que uma operadora local mantenha um core LTE, com um software gratuito, open source, e integrar com o operador primário apenas pelo controle de bilhetagem. Mais ou menos como um MVNO”, explica o diretor global de negócios de conectividade do Facebook, James Beldock. 

“Vários ISPs no Brasil possuem licenças. Mas para fornecer LTE eles precisam do core de uma grande operadora. Com essa solução elas podem ter suas próprias EPCs, mesmo em local remoto, sem precisar ir até onde a grande operadora tem o core de rede ou pontos de acesso específicos”, emenda o diretor de parcerias com operadoras, fabricantes e iniciativas de conectividade do FB, Tarcísio Ribeiro. 

O Magma foi anunciado no início do ano durante o World Mobile Congress, em Barcelona. E segundo revelaram executivos do Facebook em entrevista ao Convergência Digital, logo se transformou num piloto bem sucedido no sul de Minas Gerais, em parceria com a brasileira Iconecta. A questão foi exatamente como reduzir os pesados custos com EPC [Evolved Packet Core], daí o uso da ferramenta licenciada gratuitamente pela rede social. 

“Estamos implementando um conceito de canais de distribuição com OEMs e integradores de sistemas, empresas como Cisco, Ericsson, ou até fornecedores pequenos. Elas têm uma rede de distribuidores. E também queremos nos relacionar com entidades que representam provedores. Uma analogia possível é com a Coca-Cola. Você pode ir em qualquer bar, em qualquer lugar do mundo, e vai conseguir comprar uma Coca-Cola. Mesmo nos locais mais remotos. Queremos criar esse tipo de distribuição na conectividade”, completa Ribeiro.

Além do Magma, outra ferramenta, que chegou no Brasil em maio deste ano, se vale de parcerias com operadoras de satélite para levar conectividade de baixo custo para áreas sem cobertura. Batizado Express WiFi, é também um software que facilita a gestão de uma pequena rede sem fio, de forma que um pequeno negócio possa oferecer conexões no modelo Lan House, mas também assinaturas residenciais de internet. 

“Ainda é cedo para medirmos os resultados, mas estamos otimistas. O Express WiFi incentiva o empreendedorismo dentro da comunidade. O dono de um bar, o dono de uma banca de jornais pode instalar um ponto de acesso, com custo relativamente baixo e a ajuda de nossos parceiros, e começar a monetizar esse negócio. E as pessoas conseguem comprar pacotes muito acessíveis de dados”, diz o diretor do FB.

*Matéria originalmente publicada no Convergência Digital

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