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Governo digital só acontece se houver a troca efetiva dos dados
Por: Por Luis Osvaldo Grossmann* - 04/11/2019

O governo federal avança na digitalização de serviços públicos. Segundo a Secretaria de Governo Digital, a meta para 2019 já foi superada em setembro, com 407 novos serviços online, que prometem uma economia de R$ 1 bilhão por ano, e o plano é concluir esse processo para os 3.327 existentes até 2022.

Nesse percurso, além das metas de digitalização e de unificação dos 1,5 mil canais web hoje existentes no ‘gov.br’, o governo quer facilitar a interoperabilidade e o cruzamento de dados dos brasileiros armazenados em diferentes bases da administração federal. A medida é alvo de críticas.

“Um dos pilares desse programa é a interoperabilidade, promover a troca de dados dentro do governo, respeitando a privacidade, para criar cadastros de referência, grandes domínios de informações do governo, de forma que não seja preciso replicar cadastros pessoais, cadastros de imóveis, cadastros de atividade econômica etc”, afirmou o secretário de Governo Digital, Luis Felipe Monteiro, em debate realizado na Futurecom 2019, realizada de 28 a 31 de outubro, em São Paulo.

“Não existe governo digital sem interoperabilidade. Ou os dados circulam entre os órgãos de governo, ou o cidadão é quem vai ter que correr de um lado para outro com uma certidão, um papel, um atestado na mão. O fato é que para esse cidadão estar protegido o governo tem que manter e garantir a privacidade dos dados. A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais é um avanço da sociedade brasileira que trouxe elementos concretos, inclusive de punições, para aqueles que usarem mal os dados dos brasileiros", reforçou Monteiro.

Para o secretário, o governo, como um grande detentor de dados, não é o dono dos dados, os dados são dos brasileiros, mas como  é aquele que mantém esses dados tem que respeitar essa privacidade, proteger os dados que lá estão e interoperar da forma mais ética e eficiente possível para a boa qualidade dos serviços, com garantia da privacidade.

O Cadastro Base do Cidadão, no entanto, gera desconfiança de entidades que atuam na defesa dos direitos digitais. Segundo reclama a Coalizão Direitos na Rede, que reúne 30 entidades, o decreto 10.046/19, que o estabeleceu, não deixa claro o respeito ao consentimento ou ao uso diverso da finalidade para qual determinado dado foi coletado. “O governo federal pode ter obtido a foto de um cidadão para uma carteira de motorista e utilizar essa imagem para medidas de reconhecimento facial, atividades totalmente distintas”, diz a Coalizão.

Essas preocupações levaram até a criação de pelo menos três projetos de decreto legislativo (661, 673 e 675/19), apresentados pelo PDT, PCdoB e pelo PSOL, para sustar os efeitos do decreto 10.046/19, alegando risco de mau uso das informações e de vazamento dos dados. Segundo insistiu o secretário de Governo Digital, a possibilidade de cruzar dados é crucial para melhor atender aos cidadãos. “Queremos um governo único, integrado, em que não seja preciso navegar em labirintos e que os dados é que circulem, não o cidadão, que as APIs funcionem, que a interoperabilidade entre entes de governo funcione.”

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