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IBGE, por conta do COVID-19, fará um mapeamento do teletrabalho no Brasil
Por: Da Redação da Abranet - 03/04/2020

O IBGE e o Ministério da Saúde fecharam parceria para implementar versão inédita da PNAD Contínua para monitorar a incidência da Covid-19 nacionalmente. Com o novo convênio, montado em regime emergencial, o IBGE vai produzir a PNAD Covid, pesquisa que tem como objetivo identificar indivíduos com sintomas do novo coronavírus, bem como a demanda e a oferta de serviços de saúde pública. Essas informações vão subsidiar as políticas públicas do Ministério da Saúde.

A pesquisa levantará também informações da população relacionadas a trabalho e emprego. “Vamos investigar se a pessoa está na força de trabalho, ou se a pandemia a jogou para fora da força de trabalho. E relacionar isso com as pessoas que estão com sintomas”, diz o diretor adjunto de pesquisas do IBGE, Cimar Azeredo.

O IBGE vai identificar ainda as pessoas que estão em teletrabalho, quantas horas estão trabalhando, além de fazer um mapeamento da informalidade. O objetivo é avaliar como essa pandemia modificou o trabalho no Brasil. “Será uma pesquisa muito objetiva e rica, mostrando os reflexos do confinamento social no mercado de trabalho brasileiro”, reforça Azeredo.

A coleta será efetuada remotamente por telefone por entrevistadores do IBGE em parceria com o Ministério da Saúde e entrevistará as mesmas pessoas por pelo menos três meses, com estatísticas oficiais da Covid divulgadas semanalmente.

“O instrumento rápido proposto pelo IBGE junto à PNAD Contínua focará nas pessoas com sintomas de síndrome gripal, mostrando com precisão a quantidade e o crescimento ou não do número de casos de Covid, nas principais cidades brasileiras. O apoio do IBGE neste momento de pandemia é estratégico para o Ministério da Saúde identificar o tamanho real da epidemia, e a tomada de decisão para orientar o Sistema Único da Saúde (SUS) bem como o papel das equipes de Saúde da Família a fim de minimizar os efeitos da pandemia na vida das pessoas”, analisa o Secretário de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde, Erno Harzheim.

Azeredo reforça que o IBGE está junto do Ministério da Saúde no enfrentamento desta pandemia  e que as data do início da coleta e das primeiras divulgações ainda serão definidas. “A pesquisa vai mostrar o percentual da população brasileira com sintomas de Covid, se buscou atendimento e, se foi internada, quais foram os procedimentos adotados. A ideia é que os resultados sejam divulgados semanalmente. O IBGE tem clareza de que isso tem de ser feito para ontem. Estamos envidando esforços para colocar essa pesquisa na rua o mais rápido possível”, afirma.

Ele informa que será um questionário curto para investigar se a pessoa está tendo algum tipo dos sintomas preconizados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como os mais característicos do coronavírus - febre, tosse, dor de garganta, dificuldade de respirar. O diretor adjunto do IBGE observa que um dos objetivos é identificar o comportamento da população, lembrando que o cenário atual é muito novo e cada vez mais teremos pessoas conhecidas acometidas pela doença.

“O questionário levantará também qual providência a pessoa tomou, se procurou um estabelecimento de saúde, buscando atendimento na UPA ou hospital do SUS ou privado. E, caso não tenha ido, o que fez: se foi a uma farmácia ou recebeu a visita de algum profissional de saúde”, acrescenta Azeredo.

O IBGE já está contando com o apoio da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), no fornecimento de dados para a realização da pesquisa. E está buscando contato com as demais prestadoras de serviços de telecomunicações  para que também participem desse projeto.

A PNAD Covid será um estudo de painel longitudinal representativo da população brasileira (seguindo as mesmas pessoas) com resultados dos novos casos de síndrome gripal para Brasil, Grandes Regiões e Unidades da Federação. Será selecionada uma mostra de pessoas que irá responder a pesquisa por telefone. Para isso é fundamental o atendimento da população aos entrevistadores do IBGE.

“O grande desafio de todo o processo é que as pessoas atendam o IBGE. A população tem de ter ciência de que é importante atender os pesquisadores do IBGE para que o Brasil conheça qual a prevalência de pessoas com sintomas, pois estamos num período de avanço da doença. E como o governo tem de se organizar para desenhar políticas para que a população possa receber transferência de renda, saber quantas perderam o emprego, quantas estão conseguindo trabalhar de casa. Uma vez recebendo uma ligação, a pessoa tem de saber que ao responder à pesquisa, está exercendo um ato de cidadania”, reitera Azeredo.

*Fonte: Agência de Notícias do IBGE





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