Publicada em: 19/07/2017 às 15:00
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ICANN dá vitória à Amazon na briga de domínio com os governos do Brasil e do Peru
Da Redação

Três anos após perder a batalha para registrar o domínio de internet “.amazon”, a Amazon conseguiu uma vitória com um parecer favorável de uma comissão independente de revisão do caso. Brasil e Peru defendiam que conceder esse direito a uma empresa privada prejudicaria a “proteção, promoção e divulgação de questões relacionadas ao bioma da Amazônia” e dificultaria o uso do domínio pela “população que habita esta área”.

Essa é uma das maiores controvérsias geradas pela nova política promovida pela Corporação para Atribuição de Nomes e Números na Internet (ICANN, na sigla em inglês). Em 2011, a organização aprovou o plano de liberar endereços de internet do tipo “.qualquercoisa”, além dos que terminam em “.com”, “.net” e “.org”.

Na esteira dessa iniciativa, várias empresas e administrações locais fizeram pedidos. No Brasil, a Globo recebeu o “.globo” e a cidade do Rio de Janeiro pediu o “.rio”, em 2014. A Amazon solicitou o domínio “.amazon”, mas sofreu a resistência de Brasil e Peru. Em 2014, a ICANN recusou o pedido da gigante norte-americana do varejo. A decisão foi tomada com base em um pronunciamento do Comitê de Aconselhamento de Governos (GAC, na sigla em inglês), um de seus órgãos internos.

Só que o Painel de Revisões Indepentes (IRP, na sigla em inglês), órgão da própria ICANN, decidiu a favor da Amazon no último dia 10 de julho.Ela recomendou que o conselho da ICANN volte atrás e conceda o “.amazon” à Amazon. Para o painel, o conselho errou ao levar em conta apenas a opinião do GAC, em vez de deliberar de “forma independente”. Os especialistas afirmaram que dos quatros argumentos dados por Brasil e Peru, apenas um havia fundamento. Eles eram:

Peru pedia a recusa da concessão do domínio “.amazon” por se tratar de uma região geográfica; “’Amazon’ não é listado como um nome geográfico”, diz o painel.
   
Brasil e Peru argumentaram terem direito sobre o nome “.amazon”, conforme as leis internacionais. O Peru afirmou ainda que sobre “Amazon” se trata de um rio que corta os dois países. Um dos especialistas da comissão, Dr. Jerome Passa, diz que nenhuma nação tem o direito à soberania legal sobre o nome, segundo as leis internacionais ou nacionais dos dois países.

Brasil e Peru argumentaram que organizações governamentais e ONGs, que quisessem explorar o domínio para proteger o bioma da Amazônia ou os povos que vivem na região, seriam privadas desse direito, caso a Amazon recebesse o “.amazon”. Os membros da comissão avaliaram que os dois países tinham razão nesse ponto.
   
Brasil e Peru se opuseram ao pedido porque o domínio é similar à tradução em inglês de uma das palavras da Organização do Tratado de Cooperação da Amazônia (OTCA). “A similaridade de uma palavra não é capaz de confundir e não é motivo para uma política pública plausível fazer uma objeção”, afirmou a comissão.

Após a análise dos argumentos de ambos os lados, a comissão “recomenta que o conselho da ICANN prontamente revise as aplicações da Amazon”. “Em sua reavaliação, o conselho [da ICANN] deve fazer um julgamento objetivo e independente tendo em vista se há, de fato, bem fundamentadas razões de política pública baseadas em mérito para negar as aplicações da Amazon.” O pedido é que o posicionamento da ICANN seja feito dentro de 60 dias.




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