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Meirelles, da FGV: “Quem decifrar o celular primeiro vai ganhar muito dinheiro”
Por: Roberta Prescott - 25/04/2019

“Quem decifrar primeiro o celular vai ganhar muito dinheiro”, destacou o professor da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV-EAESP) Fernando Meirelles, durante a apresentação, nesta quinta-feira (25/4), dos principais resultados 30ª Pesquisa anual do uso de TI no Brasil. O pano de fundo para esta conclusão está na ascensão dos aparelhos celulares, com o Brasil tendo pouco mais de um smartphone e pouco menos de um computador por habitante, e a iminente transformação digital pela qual as empresas terão de passar.

Para Meirelles, ainda que tenham iniciativas voltadas para os aplicativos e o maior uso dos aparelhos móveis as empresas ainda não decifraram todo o potencial dos celulares. “Você acha que Itaú e Bradesco usam direito?”, questionou fazendo referência às aplicações móveis. “A Siri está burra ainda. Estamos vendo a ponta da ponta do iceberg. A transformação digital pelo celular é o ponto chave que ninguém ainda decifrou”, resumiu. 

Meirelles ressaltou que o fenômeno do smartphone é uma ruptura de migração muito forte e talvez a evidência mais forte disto é a dedicação do jovem usando os aparelhos celulares para acesso às redes sociais e games. A 30ª edição da pesquisa da FGV, que teve amostra de 2.602 médias e grandes empresas, mostrou que, em 2019, teremos 420 milhões de dispositivos em uso no Brasil, uma média de dois dispositivos digitais por pessoa. Segundo a definição da pesquisa, na categoria computadores entram desktop, notebook e tablete e dispositivos digitais contemplam smartphones e computadores. 

A análise deste indicativo mostra que o mercado está saturado e o que vai direcionar a venda de novos aparelhos é a economia, mas aquisições serão muito mais por reposição que por compra de primeiro dispositivo. “Este fenômeno é muito recente. Em 2004, não tinha muito dispositivo digital, entre 2012 e 2016 decolou para valer e já estamos saturando”, explicou. O que direcionou o boom de compras foi, segundo Meirelles, a necessidade de usar os aparelhos para fazer tarefas como pagamento de contas, além do intenso uso dos brasileiros nas redes sociais.

Com isto, os smartphones se tornaram mais importantes que as televisões e hoje são vendidos quatro celulares a cada aparelho de televisão. São 230 milhões de celulares inteligentes (smartphones) em uso no Brasil. Adicionando os notebooks e os tablets o montante chega a 324 milhões de dispositivos portáteis em maio de 2019.

Em 30 anos de pesquisa, disse Meirelles, a base ativa de computadores está em uma curva acentuada para cima. Hoje, no Brasil há em uso 180 milhões de computadores, o que dá seis computadores para cada sete habitantes. “Há quatro anos, empurro para frente quando teremos um computador por pessoa”, disse, justificando que o índice não chega porque as pessoas estão comprando mais celulares que computadores e porque a vida útil dos PCs aumentou. A venda anual de computadores, depois de uma queda para 12 milhões em 2016 e 2017, a metade de 2013, subiu um pouco para 12.400.000 em 2018 e deverá crescer muito pouco em 2019.

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