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Para a IDC, crise ajudou a acelerar a transformação digital no Brasil
Por: Roberta Prescott - 30/01/2018

Se, por um lado, o ano de 2017 foi difícil para as empresas, por outro, a crise fez as corporações brasileiras avaliarem suas operações e a se reinventarem abrindo oportunidade para darem o primeiro passo na jornada da transformação digital, destacou Denis Arcieri, diretor-geral da IDC Brasil, ao começar coletiva de imprensa da consultoria, realizada nesta terça-feira, 30/01. “A crise ajudou a acelerar a transformação digital no Brasil e acreditamos que esta tendência será ainda mais latente nos próximos anos”, afirmou Arcieri, explicando que um dos indicadores disto é o fato de as empresas estarem buscando e colocando gente no alto comando com perfil de tecnologia.

Tradicionalmente a IDC reúne jornalistas no início do ano para falar sobre suas perspectivas para os mercados de tecnologia da informação e telecomunicações.  A consultoria prevê crescimento de 2,2% para o mercado de TICs em 2018, sendo um avanço de 5,8% para TI, com retomada já no primeiro semestre, e praticamente estável (queda de 0,1%) para telecom. Segundo a consultoria, apesar das incertezas nas eleições presidenciais, os players do ecossistema estão otimistas com relação aos investimentos no mercado de TIC.

Entre as tendências apresentadas para o mercado de TIC para 2018, nenhuma novidade. Haverá, sim, uma consolidação de tecnologias e conceitos que o mercado já vem falando há algum tempo. A transformação digital é o maior exemplo disto, com a IDC ressaltando que ela continua em uma curva crescente em todo o mundo e que haverá consequências para organizações que não passarem pela mudança.

Ainda neste contexto, a IDC apontou que a transformação digital está no foco de fabricantes de tablets e smartphones para prover estes dispositivos para o mercado corporativo. A IDC observou que os grandes fabricantes estão se estruturando para melhor atender ao B2B, como uma alternativa frente ao baixo crescimento em outros públicos, para driblar a crise e a baixa no B2C, uma vez que o mercado para consumidor final atinge sua maturidade. Diante disto, a IDC projeta que o mercado corporativo demande 3,5 milhões de tablets e smartphones em 2018, um crescimento em unidades de cerca de 30% em relação a 2017, passando a responder por 6% do volume total de vendas destes dispositivos no Brasil. Em valor, soma um pouco mais de USD 1 bilhão.

Ainda ligado à transformação digital, a IDC enfatizou que devem estar entre as prioridades das empresas investimentos em big data e soluções de análise (BDA, sigla para big data/analytics). Para Luciano Ramos, gerente de pesquisa e consultoria de software e serviços da IDC Brasil, BDA amadureceu e está voltando a ter apelo junto às companhias, até porque as organizações estão buscando um propósito para aplicações mais efetivas de big data analytics.

Neste cenário, a contratação de serviços de consultoria se destaca, com projeção de crescer 18% em relação a 2017. “As empresas querem entender como encaixas as peças e como as tecnologias podem ser aplicadas ”, disse Ramos. Os gastos totais com BDA, incluindo infraestrutura, software e serviços vão atingir USD 3,2 bilhões.

As aplicações de computação cognitiva também tendem a crescer, principalmente, as voltadas para saúde e segurança da informação. Atualmente, saúde é a segunda maior vertical em gastos com computação cognitiva e inteligência artificial na América Latina, ficando atrás apenas do setor de finanças. Entre as funcionalidades e casos de uso em alta, a IDC destaca o atendimento robotizado aos clientes, sistemas de diagnóstico e tratamento e análise de fraudes e investigação.

Por enquanto, porém, os investimentos são discretos, ficando perto dos USD 200 milhões na América Latina. No Brasil, o crescimento deve ficar acima de 50% em relação ao ano anterior. A tendência é que outras verticais  invistam no uso da inteligência artificial para atendimento e engajamento de clientes, funcionalidades que têm sido exploradas e representam os casos mais emblemáticos atualmente no Brasil, como sistemas de diagnóstico e tratamento e análises de fraudes e investigação. Segundo Ramos, o momento ainda é das empresas entenderem a tecnologia para começar a explorá-la. O desafio, reforçou o analista da IDC, é saber como fazer acontecer e replicar modelos e casos de uso de sucesso. 

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