Publicada em: 03/08/2017 às 13:02
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TIC Educação: provedores regionais têm papel fundamental nas áreas remotas
Roberta Prescott

Os provedores regionais de conexão à Internet exercem um papel fundamental para levar o acesso a localidades remotas que não são atraentes comercialmente para as grandes operadoras, afirmou Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br, em resposta à Abranet, durante a apresentação dos resultados da pesquisa TIC Educação 2016, divulgada nesta quinta-feira, 3/8, pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), por meio do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br).

Barbosa informou que foi investigada a origem da conectividade, se é parte de algum programa de política pública do Ministério da Educação (MEC), da escola ou se misto. No entanto, muitos diretores entrevistados não souberam informar se a conexão faz parte de algum programa ou de onde vem o recurso que a paga, sobretudo nas escolas públicas.

Fábio Senne, coordenador de projetos de pesquisas do Cetic.br, completou que o indicador tem bastante diferença quando comparadas as escolas públicas e privadas. “Metade das públicas mencionam o [Programa Nacional de Informática na Educação] ProInfo, 47% o Programa Banda Larga nas Escolas e apenas 7% empresas que ofereçam a conexão”, destacou. “Já as particulares quando não mencionam os programas de governo, porque a conectividade vem de elas próprias”, disse, fazendo menção ao fato de que as privadas contratam empresas para prover o serviço.

Com relação à conexão por satélite, Barbosa acredita que o meio será um instrumento para incluir escolas em áreas remotas e rurais. Para Senne, o satélite já é importante para região Norte. De acordo com a pesquisa, em 2016, a região Norte concentra o maior uso de satélite, respondendo por 18% do total de conexões, enquanto no Sul é 5%, Sudeste, 2%; Nordeste 4% e Centro-Oeste 3%. O tipo de conexão mais comum em todas as regiões é via cabo.

O TIC Educação 2016 mostrou que, após vinte anos de implementação do ProInfo, ainda há desafios a serem vencidos quanto ao acesso a equipamentos TIC e à conexão à Internet. Daniela Costa, coordenadora da pesquisa TIC Educação do Cetic.br, lembrou que a qualidade da conexão à internet  permanece como um obstáculo nas escolas públicas.

A presença de algum tipo de computador (de mesa, portátil ou tablet) encontra-se universalizada entre as escolas públicas localizadas em áreas urbanas, sendo que 95% delas possuem ao menos um desses computadores conectados à Internet. Entretanto, 45% das escolas públicas ainda não ultrapassaram 4Mbps de velocidade de conexão à Internet, enquanto 33% delas possuem velocidades de até 2Mbps.

Pela primeira vez, a utilização de celulares por alunos em atividades escolares foi investigada pela pesquisa TIC Educação 2016. O uso desse tipo de dispositivo em atividades escolares foi citado por 52% dos alunos de escolas com turmas de 5º ano, 9º ano, do Ensino Fundamental, e/ou 2º ano, do Ensino Médio, localizadas em áreas urbanas. Esse percentual atingiu 74% entre os estudantes do Ensino Médio.

“A tecnologia está presente na sala de aula por causa dos professores e alunos. O porcentual de professores que utilizam a internet pelo celular saltou de 15% em 2011 para 91% em 2016”, destacou. Entre os alunos usuários da internet, 31% afirmaram que usam o celular com internet na escola, o que significa que há um uso mais intenso fora da escola que dentro da escola. “Há senhas de Wi-Fi, mas alunos não podem acessar”, explicou Daniela Costa.


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