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TIC Educação 2017: celular vira principal meio de acesso à internet dos estudantes
Por: Luís Osvaldo Grossmann* - 23/08/2018

A nova rodada da pesquisa TIC Educação, patrocinada pelo NIC.br, mostra que a desigualdade digital continua sendo reproduzida no meio escolar. Nas escolas públicas, velocidades mais baixas continuam sendo a regra, com 40% das instituições de ensino urbanas e 61% das rurais com conexões de, no máximo, 2 Mbps. 

O cenário é o oposto nas escolas particulares, onde 65% contam com conexões superiores a 3 Mbps, sendo que predominam velocidades superiores a 9 Mbps (15%), 11 Mbps (16%) e 21 Mbps (14%). E em 6% das instituições privadas, as velocidades são superiores a 50 Mbps. 

A existência de algum tipo de conexão na escola, porém, não está diretamente relacionada ao seu uso. Segundo informa a TIC Educação 2017 “os dados sobre o local de acesso evidenciam que menos da metade dos alunos utilizam a internet na escola”. 

“Fica claro que grande parte destas atividades são realizadas fora do ambiente escolar, pois apenas 37% dos alunos de escolas públicas e 50% dos alunos de escolas particulares usuários de internet citam a escola como local de acesso à rede”, diz o gerente do Cetic.br, Alexandre Barbosa.

O levantamento aponta ainda que 97% dos estudantes brasileiros – de escolas públicas e privadas das regiões urbanas – acessam a Internet por meio de seus celulares. O número não muda por região. Para 18% dos alunos, o smartphone é o dispositivo exclusivo de acesso à rede.

“A pesquisa comprova que o celular, de fato, se transformou no principal dispositivo de acesso à Internet, em especial para crianças e adolescentes em faixa etária escolar”, afirma o coordenador da pesquisa, Fabio Senne. O estudo destaca ainda que os smartphones se transformaram em bons aliados de professores e administradores de escolas no interior. Tanto é assim que 48% deles usam smartphones em atividades administrativas. Porém, apenas 3% dos aparelhos são da escola. Para 5%, os planos ou créditos são custeados pela escola, enquanto o restante dos profissionais paga por conta própria pela linha móvel.

Esses profissionais usam os aparelhos por diferentes motivos: 44%, para entrar em contato com a secretaria de educação; 39%, para se comunicar com os responsáveis dos alunos; 35%, para enviar mensagens de texto; 35%, para enviar mensagem por aplicativos; 32%, para acessar sites da Internet; 34%, para acessar programas de gestão escolar; 32%, para acessar redes sociais; e 30%, para enviar e-mails.

Segundo ainda a TIC Educação 2017, entre as instituições de ensino que não usam internet, a falta de infraestrutura de acesso à rede na região é o motivo apontado por 48% dos diretores ou responsáveis. Outro motivo recorrente é o alto custo de conexão, citado por 28% dos diretores ou responsáveis.

O uso da internet, no entanto, ainda está principalmente associado a realização de pesquisas e tarefas, tanto nas escolas públicas como particulares. Mas há um aparente domínio maior das ferramentas online pelos professores das instituições privadas. “Em alguns indicadores, temos até 30 pontos percentuais de diferença no uso entre professores das redes pública e particular”, diz a coordenadora da pesquisa TIC Educação, Daniela Costa. 

Entre os indícios, enquanto 42% dos professores das escolas públicas tiraram dúvidas de alunos pela rede, esse índice chega a 66% entre docentes de escolas particulares. A distinção também aparece entre os que receberam trabalhos pela internet, com proporções de 29% nas públicas, 53% nas particulares; e mesmo da disponibilização de conteúdo online, 48% nas públicas, 61% nas privadas. 

*do Convergência Digital

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