Publicada em: 06/10/2017 às 09:48
Press release


Compartilhamento da faixa de 450 MHz pode ajudar a resolver gargalo da conectividade nas áreas rurais do Brasil
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O agronegócio nacional é caracterizado por elevada competitividade e produtividade e representa um enorme potencial para quem atua em internet no Brasil. Porém, o desenvolvimento de soluções e aplicações para o campo brasileiro, especialmente em Internet das Coisas (IoT), esbarra na restrição da conectividade, alertou o presidente do Conselho Consultivo da Associação Brasileira de Internet (Abranet), Eduardo Neger, durante painel sobre “O papel de Tecnologias Avançadas no Sucesso do Agronegócio no Brasil” realizado nesta quarta-feira (04/10) no Futurecom, em São Paulo.

Como alternativa para resolver o problema, ele propôs a parceria para compartilhamento da faixa de 450 megahertz (MHz), hoje com as grandes operadoras, com os operadores e provedores locais, ou a devolução da mesma para a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), dada a sua ociosidade atual.

O setor agropecuário é responsável por mais de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil e por quase 50% das exportações nacionais, segundo estatísticas referentes a 2016 da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Ao mesmo tempo, relatório da BI Intelligence projeta que, até 2020, o setor estará trabalhando com 75 milhões de dispositivos conectados por meio da IoT.

Utilizar tecnologias avançadas no campo já é uma realidade em diversas regiões do País, lembrou Neger. “Dos eventos que visitei esse ano, observei mais tecnologia no Agrishow em Ribeirão Preto. Drone, por exemplo, é assunto antigo para eles”, contou. Durante a feira de 2017, Neger conversou com fabricantes de máquinas de agricultura de precisão, que relataram trabalhar com equipamentos sofisticados como os dotados de telemetria, capazes de enviar os dados em tempo real. “Mas os produtores precisam esperar as máquinas chegarem a um lugar próximo de um ponto de internet porque nas áreas de produção onde elas trabalham não há conectividade”, disse.

Em contrapartida, os indicadores da Anatel mostram que, em 2017, mais de 60% do crescimento da banda larga do Brasil está ocorrendo por meio dos pequenos provedores regionais. “Eles têm puxado o investimento da Internet justamente nas pequenas cidades do interior”, destacou. Essas empresas, segundo Neger, têm papel fundamental no provimento de conectividade. “Obviamente, elas vão somar a essa cadeia de valor que vai gerar adoção maciça de novas tecnologias no campo. Como elas têm atuação local ou regional, é mais fácil atender os produtores rurais e ‘fechar a conta’, já que são menores e apresentam estrutura de custos diferentes”, acrescentou.

Se existe uma expansão de quem pode fornecer essa conectividade, de um lado, e a demanda por conexão, do outro, o que falta para resolver essa equação? Para o executivo da Abranet, é preciso estabelecer parcerias para uso das frequências mais indicadas para prover a conectividade no campo ou liberar essas faixas para os provedores e operadores locais.

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As faixas que trariam melhores resultados seriam aquelas capazes de se propagar para longas distâncias, uma necessidade quando se fala de zonas rurais. Um exemplo é a de 450 MHz. “Há cinco anos, a Anatel promoveu um leilão que incluiu essa frequência, mas em um modelo no qual o comprador da faixa a comprava para cobrir o Brasil inteiro, e isso inviabilizou a participação dos provedores regionais”, lembrou. Com isso, essas faixas foram para os compradores da faixa do 4G, ou seja, as grandes operadoras.

Cinco anos depois do leilão, segundo Neger, essa faixa não foi utilizada pelas grandes operadoras. Há apenas experiências pontuais. “Estamos ouvindo muitas pessoas do setor falando sobre a cooperação entre os diversos atores da cadeia para a implementação de IoT e outras tecnologias avançadas, então, dentro desse espírito de cooperação, os provedores ficariam felizes se as grandes operadoras se dispussem a compartilhar frequências. Ou então que devolvessem essa frequência ociosa para a Anatel porque os operadores locais têm, sim, interesse em usar essa faixa para aplicações regionais”, propôs o executivo da Abranet.

Ele citou como exemplo prático dessa disponibilidade dos provedores e operadores regionais a compra de faixas de 1.900 e 2.500 MHz em leilão da Anatel realizado há dois anos. “Elas foram adquiridas por quase 300 empresas locais para operação, mas não são faixas adequadas para comunicação rural e suas aplicações”, disse. “Do nosso ponto de vista, tratar das questões regulatórias e promover um uso mais racional e/ou o compartilhamento entre os diversos players dessas faixas de frequência certamente são pontos fundamentais para termos conectividade, pois ela ainda acaba sendo um gargalo em boa parte das aplicações”, concluiu.

 

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