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Ataques por "força bruta" seguem em alta no Brasil
Por: Redação Abranet - 29/03/2019

Aumento de ataques contra equipamentos como roteadores domésticos e elementos de rede, continuidade de ataques por "força bruta" (tentativas de adivinhação de senhas) e necessidade de ações por parte dos atores que compõem o ecossistema da Internet para reduzir a amplificação maliciosa de tráfego no país.Essas foram algumas conclusões das estatísticas do Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil (CERT.br), do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br).

De acordo com o CERT.br, boas e simples práticas de segurança, como manter os equipamentos atualizados com as versões mais recentes e com todas as correções aplicadas, utilizar senhas fortes e habilitar o recurso de verificação de senha em duas etapas podem prevenir os incidentes mais comuns registrados em 2018.

Além dos incidentes de segurança reportados voluntariamente por usuários de Internet em 2018, o CERT.br também divulgou análises conjuntas de outras fontes, tais como notificações enviadas aos sistemas autônomos cujas redes possuem sistemas mal configurados, que podem ser abusados por atacantes para amplificar tráfego; as notificações de servidores DNS maliciosos, que tem o propósito de direcionar usuários para sítios falsos; e tendências obtidas a partir dos honeypots - sensores distribuídos no espaço de endereços IP da Internet no Brasil que ampliam a capacidade de detecção de incidentes e correlação de eventos.

As notificações reportadas ao CERT.br sobre varreduras de redes, aliadas aos dados obtidos por meio dos honeypots, apontam um aumento de ataques a elementos de rede. A varredura é uma técnica que tem o objetivo de identificar computadores ativos e coletar informações sobre eles. Em 2018, o CERT.br recebeu 397.590 notificações de varreduras, sendo 9% delas relativas ao par de portas TELNET (23/TCP) e Winbox (8291/TCP) que parecem visar roteadores da MikroTik.

De acordo com Cristine Hoepers, gerente do CERT.br, os dados dos honeypots mostram, de forma complementar, que em março do ano passado eram praticamente zero varreduras contra a porta 8291 (do serviço Winbox do Mikrotik) para um pico que se mantém expressivo até hoje. Para ela, os roteadores MikroTik são muito utilizados por provedores de acesso, o que reforça a importância e necessidade da adoção de boas práticas de segurança para os sistemas autônomos.

Os ataques de força bruta têm o objetivo de adivinhar, por tentativa e erro, as senhas de administração e, assim, comprometer os dispositivos, também estão entre os destaques de 2018. As notificações sobre varreduras de rede apontam que os serviços que podem sofrer ataques de força bruta continuam muito visados: SSH (22/TCP) com 29% das notificações e TELNET (23/TCP) com 6% - este último, em conjunto com o par de varreduras 23/TCP e 2323/TCP, continua em evidência desde 2015 e parece ter como alvo dispositivos de Internet das Coisas (IoT na sigla em inglês) e equipamentos de rede alocados às residências de usuários finais, tais como modems ADSL e cabo, roteadores Wi-Fi, entre outros.

Os dados obtidos por meio dos honeypots corroboram que os serviços SSH (22/TCP) e TELNET (23/TCP) são muito procurados para ataques de força bruta. Também de acordo com os honeypots, essas são as duas portas que mais recebem varreduras.

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