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Sem a Web, mais viva do que nunca, as redes sociais não existiriam
Por: Roberta Prescott - 12/03/2019

O conceito, preconizado pela revista Wired em 2010, de que a web estaria morta e a internet cada vez mais viva não faz sentido, segundo estudiosos da web. Em evento transmitido online para comemorar os 30 anos da World Wide Web, o Centro de Estudos sobre Tecnologias Web (Ceweb.br) do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) relembrou os marcos históricos e debateu as principais tendências da Web. 

“A web não está mais apenas no navegador; ela está nos aplicativos. O próprio Tim Berners-Lee comentou isto quando falaram que a web estava morta e que era o momento dos aplicativos. Mas os próprios aplicativos que temos no celular utilizam tecnologias web e têm ganhado mais força a abordagem de aplicativos chamados progressive web apps (PWA),que são aplicativos com tecnologia puramente da web, que funcionam no celular, mas com experiência de um aplicativo nativo”, respondeu Newton Calegari, analista de projetos Web do Ceweb.br e W3C Brasil, à pergunta enviada pela redação da Abranet questionando o futuro da web.

Ele explicou que a barreira de desenvolvimento de PWA tem sido cada vez menor, porque as linguagens para web oferecem certa facilidade de aprendizado. “Além disso, enxergamos paradigmas novos onde a web tem avançado, como as novas interfaces com ambientes de realidade virtual e realidade aumentada na web, que podemos adicionar conteúdo com realidade aumentada para enriquecer a experiência de acesso”, explicou.

Ao relembrar das três décadas da web, o criador da World Wide Web, Tim Berners-Lee, advertiu, em entrevista à BBC, que é necessária uma ação global para conter “o mergulho [da internet] rumo a um futuro disfuncional”. O especialista disse que a correção de rumo se faz urgente. Leia matéria aqui.

Em evento realizado nesta terça-feira, 12/03, os pesquisadores do Ceweb.br comentaram a proposta apresentada por Tim Berners-Lee em 1989 de criação das funcionalidades que se tornariam a Web e também a evolução do uso da ferramenta com o lançamento de "browsers", sua importância na popularização da Internet, com o uso de tecnologias como HTML, CSS, SVG, além do desafio de manter a Web universal, aberta e descentralizada.

Reinaldo Ferraz, especialista em desenvolvimento do Ceweb.br e do W3C Brasil, lembrou da guerra dos browsers ao citar a decisão da Microsoft de embutir o Internet Explorer em seu sistema operacional. A reação foi imediata, houve ação judicial por conta da rival  Netscape, mas, mesmo com a rival ganhando a ação, o IE já havia arrebatado e mantido a maior fatia do mercado. Contudo, observa Ferraz, a história deu o troco. A hegemonia do IE termina com  a entrada de novos navegadores e, entre 2002 e 2008, três se consolidam como os principais: Firefox, Chrome e Safari.

“Sem a web talvez não existissem as redes sociais, pois elas nascem com interface web e é interessante pontuar como as redes sociais se beneficiaram da web”, destacou Ferraz.  Em 2008, o HTML 5 surgiu com objetivo de atender às novas demandas do usuários e desenvolvedores, mas, ressaltou Caroline Burle, responsável pelas relações institucionais e internacionais do Ceweb.br e W3C Brasil, não foi o HTML 5 quem matou o Flash, mas, sim, a Apple, que vislumbrou que, com as funcionalidades do HTML 5, não precisaria mais do Flash.

Burle destacou também que, em 2010, respondendo à Wired, Tim Berners-Lee levantou a voz com posicionamento mais político e falou que os aplicativos estão usando cada vez mais a web e não ela estaria morrendo e que ainda é necessário trabalhar para manter a web mais aberta e fortalecê-la. “Hoje enxergamos que isto realmente aconteceu”, disse a especialista, lembrando que, em 2014, Berners-Lee apontou que os dados das pessoas estão ficando com algumas empresas e chamando atenção para a necessidade de se redescentralizar a web. 

Mais recentemente, lembrou Caroline Burle, Tim Berners-Lee voltou a se pronunciar de maneira veemente sobre três pontos que precisam ser batalhados. “Estamos perdendo o controle dos nossos dados pessoais; é muito fácil espalhar notícias falsas na web e campanhas políticas que precisam ser mais transparentes. Ele tem batido nestes três pontos e em como acabar com a divisão digital no mundo, pensando políticas públicas e modelos de negócios que protejam dados pessoais”, explicou.

Já Newton Calegari, analista de projetos Web do Ceweb.br e W3C Brasil, começou sua fala sobre o futuro da web questionando “quem imaginaria que um projeto classificado como vago, mas excitante, viraria o que é hoje”. Calegari destacou que a web mudou a maneira que consumimos conteúdo, de linear para por hipertexto.

Ele apontou alguns direcionamentos para onde a evolução da web caminha: WebRTC para se ter chats de vídeo nativos na web; extensible web; web componentes; web assembly para melhorar a execução de aplicações web; web payments; web performance; webVR com realidade virtual e realidade aumentada para se consumir conteúdo em ambientes imersivos; WebAuth para autenticação na web, entre outros.

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