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Michael Stanton é mais um brasileiro no Hall da Fama da Internet
Por: Ana Paula Lobo - 30/09/2019

O cientista de redes e ex-diretor da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), Michael Stanton, foi um dos admitidos no Hall da Fama da Internet. Ele recebeu a homenagem na categoria Conectores Globais, neste sábado, dia 28/09, em evento realizado na Costa Rica. O hall da fama reconhece indivíduos que fizeram "contribuições significativas para o desenvolvimento e a expansão do uso da Internet em uma escala global".

Michael Stanton é o terceiro a receber o reconhecimento da Internet Society em nome do Brasil, depois de Demi Getschko, Conselheiro do Comitê Gestor da Internet do Brasil (CGI.br), em 2014; e Tadao Takahashi, o primeiro Coordenador do Projeto RNP, em 2017. Em entrevista ao Convergência Digital, Michael Stanton adverte que, hoje, a missão é a de garantir a característica libertária da Internet, a partir da neutralidade de rede, como forma de evitar a discriminação dos conteúdos.

Em entrevista à Abranet, Michael Stanton fala da Internet no Brasil, projeta os próximos 20 anos e destaca o quanto a Ciência e a Tecnologia são a base estratégica para o futuro do país, pois resulta em produção de alto valor agregado e gera riqueza econômica, intelectual e social.

1) O Senhor ajudou a construir a Internet. Os rumos que estão sendo dados à Rede Mundial eram os idealizados por vocês, que construíram essa rede global? E, principalmente, como o senhor prevê que será a Internet daqui a 20 anos?

É muito gratificante ver a evolução da internet e de toda a tecnologia que suporta a infraestrutura da rede. A RNP começou a construir seu backbone com conexões de 64 Kb/s e hoje já temos 100 Gb/s na rede acadêmica em algumas capitais, tendo conquistado o feito de ter toda a infraestrutura gigatizada, ou seja, já com velocidade de pelo menos 1 Gb/s. Fazer parte desse trabalho me orgulha, principalmente por impulsionar o desenvolvimento do ensino, pesquisa e inovação no país.

Sobre os rumos dados a rede, posso dizer que a internet surgiu de modo orgânico, com uma característica de ser libertária. Então, é importante garantirmos essa liberdade, essa neutralidade da rede. O que conquistamos com o Marco Civil da Internet garante que os conteúdos não sejam discriminados, o que empodera o usuário.

Espero que esse princípio que esteve na formação da rede se mantenha pelos próximos 20 anos e que consigamos ampliar ainda mais a integração entre os países, criando novos fluxos globais de informação, como temos trabalhado com o Bella (Building Europe Link to Latin America), a primeira conexão direta entre América Latina e Europa, e com o SACS (South Atlantic Cable System), cabo submarino que liga o Brasil a Angola, inaugurado em 2018. Isso é importante para descentralizar os fluxos de comunicação globais e estimular a produção científica colaborativa. Ter conectividade escalável também é fundamental, para dar suporte à inovação, gerando propostas e soluções para desafios que já são vislumbrados em diversas áreas, como energia, agricultura e saúde.

2) O Brasil sempre teve um papel relevante na discussão da governança da Internet. Como o senhor entende, hoje, o papel do País na construção da Internet dos próximos 20 anos?

Estamos na vanguarda das discussões sobre o papel da internet em mitigar desigualdades e garantir oportunidades de educação para todos a partir de sua expansão. Trata-se de um princípio fundamental de valorização do indivíduo que usa a rede. Temos assegurado um espaço onde principalmente a pesquisa poderá trazer novas ideias para outros serviços e aplicações e participado de projetos estratégicos para o futuro da internet.

Um deles, que citei anteriormente é o Bella, que visa atender as demandas de interconexão de longo prazo das comunidades de pesquisa e educação europeias e latino-americanas, promovendo a ciência aberta e o intercâmbio de conhecimento, além de estimular a inovação, além do SACS, cabo que liga o Brasil à África, e do Monet, mais uma conexão dos Estados Unidos ao Brasil. Tudo isso em prol da ciência e da pesquisa no país.

Também apoiamos outros países a estabelecerem suas redes acadêmicas, como o fizemos com a Rede de Educação e Pesquisa de Moçambique, a MoRENet, por exemplo. Nosso papel ao longo dos próximos 20 anos é estreitar cada vez mais os laços com a comunidade acadêmica e criar ambientes de inovação para ter uma rede robusta, que suporte cada vez mais o crescente volume de dados e necessidades da sociedade.

3) O Brasil vive um momento muito delicado com relação à Ciência e à Tecnologia. Se o senhor pudesse fazer um pedido a quem está no comando das ações nessas áreas, qual seria ele?

Não sei se faria um pedido, pois acredito que temos atores do governo e da sociedade empenhados em garantir a atenção e os recursos que as áreas de ciência e tecnologia e educação merecem. O que considero importante destacar é o quanto a Ciência e a Tecnologia são a base estratégica para o futuro do país, pois resulta em produção de alto valor agregado e gera riqueza econômica, intelectual e social.

A RNP tem como foco impulsionar a educação, a pesquisa e a inovação no país, por meio das Tecnologias de Inovação e Comunicação.  Estamos trabalhando para gerar a maior eficiência possível nas nossas ações, a fim de continuar fazendo mais com menos, graças a parcerias com a academia e com o mercado.

Temos um longo histórico de aproximação com diferentes setores da sociedade, por isso temos facilidade em juntar diversos atores em torno de um interesse comum. E é o que estamos fazendo nesse momento: unindo forças em prol da ciência e da educação no país. 

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