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Custo por assinante em sistemas LTE é menor se comparado a outras tecnologias de acesso, diz Alcatel-Lucent
Por: Roberta Prescott - 04/12/2015

Com o leilão de sobras se aproximando, a redação da Abranet quis saber se os principais fornecedores de tecnologia estão preparados para atender às necessidades dos provedores de Internet. Conheça o que a Alcatel-Lucent está fazendo, a partir desta entrevista com Roberto Falsarella, gerente de soluções de redes.

Abranet: Qual tecnologia é a mais recomendada para as faixas a serem licitadas?

Roberto Falsarella: O leilão da Anatel será para faixas licenciadas. Para FDD são 1800 MHz e 2,5 GHz e para TDD são as faixas de 1900 Mhz e 2,5 GHz. Nestas faixas, a tecnologia LTE é a mais recomendada, pois todas são padronizadas e contemplam um ecossistema farto de dispositivos e infraestrutura LTE. 

Quais soluções a Alcatel tem para ISPs entrarem em LTE? 

A Alcatel-Lucent possui toda a solução fim-a-fim de infraestrutura LTE, com exceção dos terminais. 

Para o Acesso Rádio:

- Macrocell eNodeB são as soluções tradicionais;

- Metrocell são eNodeBs miniaturizados, com menor potência e tamanho. Isso simplifica a instalação e reduz o custo inicial. Esta é uma alternativa para os ISPs começarem de forma discreta ou com um Capex limitado.  

Na transmissão IP, temos tecnologias como rádio micro-ondas, GPON, metro-ethernet, transmissão ótica e outras. Temos o mais completo portfólio e conhecimento de transmissão IP para redes LTE da indústria. 

Em core LTE (ePC), a vantagem é que os elementos são virtualizados/cloud e podem rodar em servidores tradicionais ou em data centers. Outra vantagem do Core LTE virtualizado é ser escalável, pode-se começar pequeno e escalar conforme a demanda. Outra opção é a de compartilhar o Core LTE entre vários ISPs. 

Quanto custa esta infraestrutura?

O custo por assinante para o acesso é bem menor em sistemas LTE quando comparado a outras tecnologias de acesso como rádio ponto-a-ponto, rádio ponto-multiponto ou FTTx (fibra). Para as tecnologias que utilizam rádios, o terminal do cliente é caro. Para a fibra, a instalação da fibra é cara. Por outro lado, o LTE é mais caro que Wi-Fi.

Para se ter uma ordem de grandeza de custos, durante um período de três anos, a capacidade do acesso rádio depende da largura de banda da licença para o serviço a ser oferecido. Assumindo que seja um serviço de dados LTE com 2 Mbps no downlink e 256 kbps no uplink, é possível ter 600 assinantes numa macrocell ou 200 assinantes numa metrocell. Neste caso, o [custo total da posse] TCO (Capex mais Opex durante três anos) do acesso rádio por assinante seria de aproximadamente 180 dólares por assinante para a macrocell e aproximadamente 20 dólares por assinante para a metrocell, considerando valores médios de mercado. 

Em cima destes números, é necessário acrescentar as demais despesas internas do ISP, despesas com terminais LTE e relacionamento com cliente e despesas com restante da rede (transmissão backhaul, core LTE, acesso à Internet, OSS, billing etc. 

O TCO da metrocell é menor que a macrocell, devido a despesas com infraestrutura e Opex menores (por exemplo: aluguel de espaço em torre). 

O que os ISPs devem fazer para se preparar para ofertar LTE?  

As frequências licenciadas permitem ter um maior controle sobre a qualidade de serviço a ser oferecido para o usuário final, que podem ser utilizadas nas localidades onde o Wi-Fi esteja congestionado ou para oferecer serviços diferenciados a certos clientes. É importante mapear qual é o cliente alvo do provedor de Internet e quais tecnologias existem para atender a este cliente. Algumas alternativas para se providenciar banda larga são: via rádio ponto-a-ponto ou ponto-multiponto e FTTx (fibra), mas o custo para conectar cada cliente é geralmente mais caro que LTE.

O importante é que LTE permite lançar uma rede aos poucos (funcionalidade básica, cobertura pontual) e ir melhorando com o tempo. Outra flexibilidade é que se permite compartilhar ativos entre vários ISPs. Compartilhamento hoje em dia é comum para a infraestrutura (torres, energia, terreno). O LTE permite compartilhar também o core, a transmissão IP, e eventualmente também a eNodeB. Compartilhar diminui os custos de lançamento da rede. 

Como gerenciar a rede LTE?

É possível gerenciar todos os elementos da rede LTE desde o terminal, passando pela interface aérea, a transmissão backhaul, até o core da rede. Todo o elemento de rede é visível e gerenciável. O básico seria começar como uma gerência da rede de Acesso de Rádio e a gestão dos assinantes. Depois disso, se podem explorar os demais elementos. 

Quais possibilidades o LTE oferece aos ISPs?

As frequências licenciadas permitem um maior controle sobre a qualidade de serviço a ser oferecido para o usuário final, podendo ser utilizada nas localidades onde o Wi-Fi esteja congestionado ou para oferecer serviços diferenciados a certos clientes. Com LTE, abre-se também uma grande oportunidade para explorar novos modelos de negócios tais como: conectividade para IoT (Internet das Coisas), cidades digitais / e-Gov, modalidades de MVNO (para indústria vertical, associado a algum serviço over-the-top), Mi-Fi de hotspots nomádicos com Wi-Fi, aplicações específicas como transferência de dinheiro, acordos de roaming com outras ISPs, mobilidade para Wi-Fi etc.

Para este último, “mobilidade para Wi-Fi”, o core LTE possibilita conectar a um Wi-Fi gateway, que faria toda a mobilidade e controle entre uma rede LTE e Wi-Fi. Vários ISPs atualmente possuem redes Wi-Fi que podem ser reutilizados para melhorar a cobertura como um todo. Por exemplo: uso de LTE em ambientes externos e uso de Wifi em ambiente interno. Usa-se o mesmo terminal que se conecta ao LTE ou Wi-Fi conforme nível de sinal. 

Para a Alcatel , qual é, do ponto de vista de negócios, a oportunidade que surge a partir da entrada dos ISPs neste mercado?

A entrada de ISPs tem as seguintes vantagens para a Alcatel-Lucent e para a indústria de Tecnologias de Informação e Comunicação:

- aumenta o tamanho do mercado direcionável para TIC, somos fornecedores de tecnologia e infraestrutura fim-a-fim.

- maior competição representa mais oportunidades para inovação e mais diversidade na oferta de serviços que podem fomentar alguns mercados novos (como, por exemplo, explorar Internet das Coisas)

- aumento na penetração de banda larga, que tende a aumentar o poder aquisitivo da população e, por consequência, aumenta o capital reinvestido no mercado de TIC.

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