Publicada em: 30/05/2022 às 12:31
Artigos


Cientistas de dados são essenciais na guerra contra fraudes digitais
Por Udo Blucher*

Na economia digital brasileira, vence quem consegue extrair o máximo valor de seus dados. A transformação da cultura de negócios exige um recurso que vai além da tecnologia: cientistas de dados. Nesse quesito, os desafios enfrentados pelas empresas são enormes. Enquanto sobram vagas, faltam profissionais treinados e capacitados nessa área.

Relatório da Glassdoor norte-americana de janeiro de 2022 indica que as posições de cientistas de dados são a terceira carreira mais valorizada naquele mercado – no início deste ano, havia 10.000 vagas em aberto. Pesquisa da consultoria brasileira de RH Intera divulgada em maio de 2021 revela que surgiram 485% a mais de novas vagas com esse perfil em relação ao mesmo período de 2020. Esse levantamento foi feito a partir dos desafios enfrentados por 34 grandes corporações de tecnologia do país.

No Brasil, os salários dessa categoria aumentaram 40% entre 2019 e 2021. Os valores variam, hoje, entre R$ 4.500,00 e 22.000,00, segundo pesquisa da Bain. Esse detalhado estudo, construído em outubro de 2021 a partir de entrevistas com 2645 profissionais de todo o Brasil, mostra que, na prática, o cientista de dados escolhe onde vai trabalhar. São pessoas com um alto nível de instrução formal, com 50% desse universo sendo pós-graduados.

Frustração com falta de maturidade analítica das organizações

Essa categoria profissional tem consciência de seu papel no avanço dos negócios das organizações onde atuam, mas sofrem com o descompasso entre a cultura de inteligência de dados e os departamentos mais tradicionais da empresa. Para 44,5% do grupo estudado, a falta de maturidade analítica da organização pode levá-los a mudar de emprego.

Uma das razões para esse sentimento de valor próprio é o fato de que essa formação é longa e complexa. O cientista de dados é um profissional multidisciplinar, capaz de utilizar conhecimentos em ciência da computação – com ênfase em Inteligência Artificial, Machine Learning e BigData –, matemática e estatística para fazer dos dados da organização uma alavanca de crescimento dos negócios. Conforme sua jornada profissional, pode adicionar a esse perfil técnico uma formação em administração de empresas, finanças e até saúde.

Fraudes digitais causarão prejuízos de US$ 48 bilhões até 2023

Uma das frentes onde é essencial contar com cientistas de dados é a luta das organizações brasileiras contra as fraudes digitais. Estudo realizado pela Juniper Research no início de 2022 indica que, até 2023, fraudes em transações e pagamentos online deverão gerar prejuízos que ultrapassarão a marca de US$ 48 bilhões (dados globais). Esse valor é ao ano.

No Brasil, estudo da Serasa Experian divulgado em maio revela que, em março, foram registradas 389.788 tentativas de fraude, o que representa um aumento de 18,9% em relação ao mesmo período em 2021. Isso significa que a cada 7 segundos um brasileiro é vítima dos fraudadores. O segmento que mais sofreu com esse quadro é o varejo, com uma alta de 74,1% nas tentativas de fraudes.

Essa realidade está levando o mercado brasileiro a buscar experts em dados, profissionais capazes de aliar a análise de dados aos desafios do negócio e, a partir daí, identificar e bloquear fraudes digitais cada vez mais sofisticadas e criativas. Além dos times internos de cientistas de dados, há a possibilidade de as organizações contratarem essa inteligência na modalidade de serviços gerenciados.

Nesse formato, os cientistas de dados são parte de um SOC (Support Operations Center) que atua 24x7 para monitorar, detectar e mitigar fraudes em tempo real. Trata-se de um time de elite com formação contínua tanto em tecnologia como em finanças e negócios. Sua meta é entregar à empresa usuária dos serviços desse SOC uma visão preditiva sobre as fraudes atuais e as que estão sendo gestadas e, a partir daí, disparar ações de bloqueio ou correção.

Visibilidade sobre os rastros deixados pelos fraudadores

Além da inteligência de seus profissionais, o provedor de serviços gerenciados de combate à fraude utiliza o que há de mais avançado em IA, ML e BigData para identificar os sutis rastros que as gangues digitais deixam. O modo tradicional de lutar contra fraudes é por meio da construção de regras que analisam o histórico de golpes e, a partir daí, impõem bloqueios a esses atos criminosos. Na economia digital, com milhões de transações acontecendo simultaneamente num portal de e-commerce ou na aplicação de Internet Banking de um banco, abre-se espaço para tentativas de fraudes muito inventivas, que não se encaixam nas regras referentes aos golpes do passado.

Nesse contexto, o uso de soluções tradicionais de cyber segurança não produz os resultados almejados. É necessário contar com ferramentas que contemplam a inventividade dos fraudadores e identificam tentativas de abuso. Não se trata mais do atacante buscar uma vulnerabilidade na aplicação de negócio e, a partir daí, utilizar um exploit para realizar uma violação. No caso da fraude, o que existe é um criminoso ilegitimamente acessando uma aplicação a partir de uma informação legítima, obtida de modo espúrio. Os imensos vazamentos de dados pessoais vistos no nosso mercado representam um tesouro para as gangues digitais.

A partir desse mar de informações, os fraudadores utilizam Bots para realizar milhões de tentativas de acesso por segundo – a meta é identificar as informações pessoais que “abrem” a porta da aplicação de negócios ao invasor. Os Bots realizam, portanto, a primeira fase da fraude. O principal objetivo do criminoso, no entanto, é realizar um Account Takeover (ATO). Essa é a segunda fase da fraude, em que entra em cena uma pessoa se passando pelo cliente legítimo.

Análise do perfil de acesso de cada consumidor

Para enfrentar essa ameaça, a solução antifraude analisa dados comportamentais de cada acesso feito, checando o dispositivo que está sendo usado, o horário da compra, o modo de usar o mouse, que produto está sendo adquirido. O mapeamento do perfil de acesso de cada consumidor gera descobertas que precisam ser verificadas pelo time de cientistas de dados.

Esses profissionais conseguem interpretar o que está acontecendo e, a partir daí, disparar ações de bloqueio ou até mesmo sugestões de correção de processos de negócios digitais. Cada intervenção do cientista de dados contribuiu para “treinar” a plataforma antifraudes baseada em IA e ML, de modo a preparar ainda mais essa solução para, a partir de poucos vestígios, identificar e bloquear a ação criminosa.

É hora de aliar, aos experientes times antifraudes que respondem ao CFO, cientistas de dados que usam IA e ML para detectar abusos num mar de dados em constante expansão. Trata-se de casar o olhar refinado de quem defende o negócio há anos a uma expertise em dados que defende a organização em escala, e com a máxima precisão.

*Udo Blucher é Engenheiro de Soluções da F5 LATAM.


Powered by Publique!