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Brasil ainda é imaturo no uso de computação em nuvem
Por: Da Redação da Abranet - 04/08/2022

Não existe estratégia de negócios sem estratégia de cloud computing. Dessa forma o diretor sênior de Pesquisa do Gartner, Henrique Cecci, definiu a importância da computação em nuvem no atual contexto global de negócios na quarta-feira, 03, durante o AWS Summit. O Brasil, no entanto, segue atrasado em relação aos países desenvolvidos, com a maioria das empresas ainda enxergando a nuvem como infraestrutura.

“É mais que isso. Temos todo um contexto que vem transformando produtos em serviços há bastante tempo e os valores básicos da nuvem, como  flexibilidade e elasticidade, são fundamentais para os negócios”, afirma. Essa visão é mais forte em mercados que veem a nuvem como plataforma de serviços, tanto que, nos Estados Unidos, o consumo de PaaS (plataforma como serviço) é três vezes maior do que o de IaaS (infraestrutura como serviço), relação inversa à existente no Brasil.

Cecci lembra que, além da imaturidade, o Brasil tem alguns desafios locais a serem enfrentados. Um deles é a centralização das ofertas de nuvem em grandes centros como Rio de Janeiro ou São Paulo, deixando outras regiões sem serviço. Além disso, há o custo da nuvem no mercado brasileiro e o fato de algumas verticais, com finanças e governo, enfrentarem questões regulatórias.

“Hoje, o custo local de cloud no Brasil é 78% maior do que nos Estados Unidos”, revela. São desafios que precisam ser resolvidos para elevar a participação de cloud computing nos gastos totais de TI. No Brasil, esse percentual está entre 8% e 9%, contra algo entre 16% e 17% em países mais desenvolvidos. Nos Estados Unidos, até 2025 a nuvem deve chegar a 30% dos gastos corporativos com TI.

Copo meio cheio

Embora atrás de mercados mais maduros, o Brasil tem visto o crescimento da oferta de serviços, gerenciados e profissionais. “Isso acontece porque a cloud exige um processo contínuo de ajuste, adaptação e monitoramento. É preciso saber usar”, diz, lembrando que o Gartner estima que mais de 50% do que se gasta em cloud hoje é ineficiente. Os serviços têm sido utilizados para corrigir essas ineficiências, levando para as empresas recursos que saibam usar as ferramentas em nuvem, inclusive de automação.

Outra área que deve crescer por aqui é a de edge computing, impulsionada pela chegada das redes 5G e das aplicações de IoT (Internet das Coisas). Cecci vê no Brasil uma tendência de construção de pequenos datacenters distribuídos, que farão o processamento das aplicações 5G na ponta. Ele explica que as antenas têm área de alcance relativamente curta e isso vai criar a necessidade de pequenos datacenters distribuídos, que deverão utilizar soluções pré-fabricadas, com as operadoras fazendo o deployment disso com parceiros locais.

“O fato é que o 5G vai impactar o mercado de datacenters. E há outras coisas, como o 6G e satélites de baixa órbita. Tudo será combinado e precisa de cloud junto: haverá processamento distribuído e centralizado”, prevê, lembrando que fazer a sintonia dessa relação será o próximo foco do mercado.

Crescimento

De todo modo, o contexto do mercado de cloud computing é de crescimento e de consolidação em poucos – e grandes – players. “Essas plataformas possibilitam crescimento e transformação de negócios, entregando resultados rápidos por meio de serviços existentes. Por isso [o mercado] vem crescendo de forma rápida. E as empresas estão aprendendo a identificar o valor: hoje não existe estratégia de negócio sem estratégia de cloud”, diz.

Sobre a consolidação, Cecci ressalta que, no futuro, quase todos os setores terão apenas quatro ou cinco players. Sobre o mercado de nuvem, ele ainda é fortemente impactado pela força de mercados locais. O Ali Baba, por exemplo, não tem presença na América Latina, mas é hoje o terceiro maior provedor global de nuvem. Por outro lado, os Estados Unidos representam, sozinhos, 57% de todos os gastos globais em nuvem.

Ao falar especificamente do Brasil, Cecci lembra que a AWS tem hoje o maior market share e o maior ecossistema de parceiros. “Falando em vendas, os últimos [índices de] market share mostram a AWS com 57% e a Azure com 28% de participação”, revela. Essa liderança viria do fato de a AWS ter começado antes neste mercado e de utilizar como estratégia a inovação e a oferta constante de novos serviços.

“Os outros players têm um viés diferente. A Microsoft não pode deixar de lado seu legado, seu universo enterprise. Já a Google tem um DNA voltado a big data e analytics, mais centrado na informação. Cada um tem uma característica muito única, mas a AWS tem hoje competências que os outros não têm, mesmo não tendo SaaS, e tem parceiros que os outros não tem. São fatores competitivos únicos”, conclui.

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