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Brasil é o País que mais discute Fake News na América Latina
Por: Da Redação da Abranet - 08/03/2020

Um relatório especial produzido pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial -Aberje - traz o recorte sobre como o brasileiro, que representa 25% da amostra obtida na edição LCM – Latin American Communication Monitor 2018-2019, vem lidando com os desafios do universo corporativo da comunicação, entre eles a Fake News.

A maioria dos entrevistados na pesquisa exerce cargo de liderança e trabalha em agências de comunicação ou empresas estatais. As mídias sociais são citadas por 60% dos comunicadores como as principais fontes das notícias falsas. Já em 28% das publicações, foram os meios de comunicação de massa que divulgaram as notícias falsas. Essas notícias estavam relacionadas aos produtos e/ou serviços em 35% dos casos, às pessoas da organização em 33%, e às organizações e/ou marcas em 28%. Dos 81% que têm acompanhado o debate acerca do assunto, 31% não julgam o tema como relevante em seu trabalho diário.

Tem-se que 76% dos comunicadores acredita que a esfera pública brasileira é influenciada por fake news. O curioso é que 51% dos entrevistados afirma que as notícias falsas não são relevantes em seu trabalho diário de comunicação (entre neutro e discordo totalmente). Nesse ponto, a pesquisadora da equipe LCM Brasil,Patrícia Pérsigo, analisa o fenômeno em grande medida influenciando a esfera pública, “porém, no dia a dia da comunicação empresarial, apenas 49% o apontam como um tema relevante”. Nesse mesmo sentido, prossegue, dados da Pesquisa Aberje sobre fake news, divulgada em 2018, apontam que 67% das organizações ouvidas na época não consideravam as notícias falsas um tema estratégico, ao passo que 85% estavam preocupadas com o fenômeno.

Por outro lado, 19% dos profissionais afirmam estar implantando diretrizes e rotinas formais para combatê-las, assim como outros 13% argumentam estar desenvolvendo planos específicos para tratar da questão, e 7% assinalam ter instalado sistemas e tecnologias específicas para tal. “Percebe-se aqui que 39% dos comunicadores atuam de alguma forma na antecipação à ocorrência das fake news, e, na ponta contrária, tem-se 11% alegando não ter necessidade de desenvolvimento de qualquer ação nesse sentido”, compara Patrícia.

Brasil: um terço das organizações afetadas

Ao fazer uma análise comparativa dos dados apontados pela pesquisa, o diretor-presidente da Aberje, Paulo Nassar, ressalta que os dados referentes ao Brasil estão abaixo da média da região, mas muito próximos aos dos países do Cone Sul (Uruguai, Argentina e Chile).  Por aqui, 33,3% das organizações foram afetadas por fake news, contra 41% de média para a região.

“Apesar de termos o segundo menor número de organizações diretamente afetadas por fake news (atrás apenas do Uruguai, com 32,6%), o Brasil parece ser o país onde o tema atrai a maior atenção dos profissionais da área de comunicação: 82% dos profissionais diz prestar atenção ao debate sobre o assunto, e quase metade dentre eles afirma que elas são relevantes ao trabalho diário da área de comunicação (em comparação com a República Dominicana, por exemplo, 66% das organizações são afetadas por fake news, mas apenas 44% dos profissionais considera o tema relevante no dia-a-dia)”, analisa Nassar.

O Brasil é também o país onde mais se discute o tema (68%) e o terceiro onde o assunto mais influencia a esfera pública (77%). Como os pesquisadores apontam essa percepção mais aguçada ao tópico é comum aos países onde houve eleições no ano de 2018 (Brasil, México e República Dominicana), mas o caso brasileiro é particular em dois sentidos: primeiro, porque dentre esses países, é aquele no qual as organizações são as menos afetadas (33%, contra 40,4% no México e 66% na República Dominicana) e segundo, porque os indicadores de percepção da importância do tema são consideravelmente mais altos (70% dos profissionais no México e 68% na República Dominicana afirmaram ter prestado atenção no debate, contra 82% no Brasil).


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