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Com redes neutras, diferenciação será a qualidade do serviço prestado
Por: Roberta Prescott - 26/05/2021

As redes neutras, tema que foi capa da edição mais recente da revista Abranet, estão se consolidando como um novo modelo de negócios. Assim como as companhias de torres ganharam espaço quando as operadoras de telefonia enxergaram que deter a infraestrutura física não era mais um diferencial, o mesmo está começando a ocorrer no setor de fibra ótica.

Empresas focadas na venda de infraestrutura no atacado começam a enxergar as redes neutras como oportunidade. E, para as empresas de internet, as redes neutras, tanto podem apoiá-las na estratégia para expansão, acelerando o ritmo de entrada em novas localidades, como incrementar a competição, uma vez que uma grande barreira de entrada cai ao contratar a infra de um terceiro, abrindo caminho para novos players

“Quem ganha com as redes neutras é usuário, porque vai ter mais concorrência com novos entrantes. A regra do jogo será em cima de software”, apontou Fabiano Vergani, CEO da Bitcom, durante o webinar “Redes neutras: desafios e oportunidades”, promovido pela RTI. Ele ressaltou que o foco no atendimento ao cliente ganha ainda mais relevância no cenário com redes neutras conquistando espaço. 

Contudo, há desafios. “As redes neutras vêm conectar a transformação digital. A fibra compartilhada com certeza será disruptiva e não é simplesmente o swap; é muito mais que isso: precisa ter plataforma  com muitas camadas de software e sistema OSS/BSS; e nós desenvolvemos isso em função do franchise”, acrescentou Vergani. Atuando há 25 anos no Sul, a Bitcom se lançou no modelo de franquia há quatro anos e, hoje. Tem 14 franqueados. 

Para Fabiano Ferreira, CEO da Vero, as redes neutras fazem muito sentido sob o aspecto econômico. “No serviço de internet, levar a fibra ótica não será a diferenciação na perspectiva de longo e médio prazos, mas, sim, serão os serviços em cima disso”, ressaltou Ferreira. A própria Vero, atualmente presente em 135 cidades, fechou parceria com a Oi no modelo de redes neutras para lançar o serviço em duas localidades. “Neste ano, começamos a utilização de rede neutra. Não temos nenhum tipo de exclusividade. No modelo, tem de encontrar o ponto ótimo para todos e é evidente que têm desafios, como os sistemas OSS/BSS que precisam ser bem desenvolvidos”, apontou o CEO.

Ferreira defendeu que o modelo de rede neutra de FTTH é o caminho natural para evoluir e escalar a operação. Ele disse que em um futuro próximo, como cinco anos, não fará mais sentido ter os provedores de internet construindo redes com capilaridades tão grandes.  

Grande aposta

Do lado dos provedores, Maurício Giusti, CEO da Phoenix Fiber, comparou o mercado de infraestrutura de fibra ótica com o de torres. “Hoje, é difícil imaginar uma operadora de telecom construindo sua torre exclusiva. O olhar mudou; a torre não é um ativo estratégico e deixa de ser diferencial de competição”, pontuou Giusti. 

A companhia começou a analisar o mercado de fibra em 2018, criou a Phoenix Fiber e atualmente tem rede implantada em 11 cidades, com meta de chegar a 50 até o começo do ano que vem. “A rede foi construída neutra desde o princípio, foi criada para quem presta serviço para cliente final”, assinalou, acrescentando que o Brasil precisa ainda de muito mais infraestrutura, uma demanda que será ainda maior com 5G. “Vamos ter nos próximos anos muita necessidade por investimentos e o modelo de rede neutra tem de trazer maior eficiência e racionalidade na forma de desenvolver redes”, defendeu Giusti. 

Também nesse mercado a InfraCo, da Oi, oferece infraestrutura passiva e ativa. André Telles, diretor-comercial da Oi, disse que a telco vem se preparando para isso desde 2019 quando anunciou o plano da companhia de separar as unidades. “Com a rede neutra efetivamente você separa a operação de clientes da infraestrutura”, disse Telles durante o webinar. 

Atualmente, segundo ele, a InfraCo tem uma rede FTTH de cerca de 400 mil quilômetros de fibra ótica, chegando a 2.400 municípios. “Essa é a força da  InfraCo; uma infraestrutura que chega com rede única que vai suportar todos os serviços, de banda larga, de atacado e atuando em um cenário B2B, na camada de infraestrutura e também de serviços”, detalhou o diretor da Oi.  

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