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Companhias de redes neutras precisam ser transparentes
Por: Roberta Prescott - 29/08/2022

As redes neutras avançam no Brasil, que hoje tem quatro operadoras investindo forte e se destacando no setor. À exceção da American Tower, todas as demais concorrentes — Fibrasil, V.tal e I-System — contam com um cliente-âncora: telcos que venderam suas infraestruturas. Mas comoo fica a relação entre as teles e os demais clientes? Ao debater, no Telco Transformation Latam 2022, os executivos das companhias de rede neutra afirmaram que ter uma grande prestadora de serviços de telecomunicações como acionista e principal compradora não leva a um tratamento diferente ou lhes dá vantagem.

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“Os benefícios para os novos entrantes são os mesmos que oferecemos para o âncora”, garantiu Daniel Cardoso, CEO da I-Systems. “O grande desafio que temos como rede neutra é a confiança”, acrescentou. Em um cenário no qual os principais concorrentes — e também clientes em potencial — são os provedores de internet, as companhias de fibra devem ser transparentes e, de fato, neutras. 

“Você tem de ser e também tem de parecer neutro. Mostrar ao mercado que, apesar de ter um cliente âncora, ele é mais cliente que acionista e não interfere nas diretrizes e nas decisões da operação”, disse Cícero Olivieri, vice-presidente de engenharia e CTO da V.tal. 

Para Átila Branco, CTIO da Fibrasil, o sucesso da rede neutra é justamente ser neutra, sem prioridade ou exclusividade. “Temos de ter mais que qualidade: temos de ter capacidade excedente para atender a todos. Flexibilidade e neutralidade são o que trazem competitividade para os ISPs e para novos players que nos desafiam. É um mercado que está aberto”, avaliou. 

Durante o painel, eles levaram outro ponto importante, que é a capacidade de isolar as informações de cada um dos clientes, incluindo a parte de sistemas e de APIs; e ter uma diretriz clara de como compartilhar informações.

Na V.tal, Olivieri contou que foi criado um comitê de neutralidade com três pessoas do mercado como maneira de dizer ao mercado que a companhia é neutra. “A neutralidade precisa atender às necessidades de forma igual, adaptando a rede às demandas dos diferentes clientes, e não priorizando um versus outro, mas cumprindo os acordos”, ressaltou Cardoso, da da I-Systems. 

Do lado da American Tower, Daniel Laper, diretor-sênior para o desenvolvimento do negócio de fibra, destacou que isonomia e não discriminação são dois temas muito importantes junto com confiança. “Quando pensamos em infraestrutura compartilhada, isso, para a gente, é fim, mas para os nossos clientes é meio. Por isso, precisamos de confiança e flexibilidade para conseguir nos adaptarmos à realidade do cliente sem que ele tenha de se adaptar a nós.” 

Laper ponderou que o segmento de redes neutras teve um início mais agitado, com o mercado tentando entender, mas já entrou em um determinado nível de maturidade. Cardoso, da  I-Systems, disse que o modelo de redes neutras vai permitir crescimento mais acelerado para as empresas e tornar o mercado mais eficiente.

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