Publicada em: 09/02/2021 às 06:44
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Nuvem é o elemento-chave na transformação e na resiliência da TI
Roberta Prescott

As necessidades impostas pela pandemia mostraram que a nuvem é um caminho rápido para ampliar a resiliência operacional da TI e cujas capacidades se somam às capacidades de infraestrutura de TI existentes, evidenciando a evolução dos ambientes híbridos nas organizações. De acordo com a IDC, mais da metade das empresas que utilizam cloud afirma que estão executando workloads críticos em produção e cerca de 90% das organizações de grande porte dizem contar com datacenters tradicionais, sejam eles próprios ou terceirizados. Destas, 49% afirmam utilizar também algum modelo de nuvem como parte da sua infraestrutura de TI. 

“A pandemia mostrou às empresas que nuvem é um caminho rápido para ampliar resiliência operacional de TI. Quando perguntamos quais ambientes de TI eles têm: 90% ainda contam com datacenter tradicionais em casa ou terceirizados, mas estão integrando a capacidade”, disse Luciano Ramos - líder para práticas de TI empresarial da IDC, durante coletiva de imprensa online na última quinta-feira 4/2.  

Para a IDC, a otimização do uso da nuvem determinará o ritmo e a direção de novas tecnologias para infraestrutura, aplicações e segurança. Conectar e gerenciar múltiplos recursos de nuvem se converterá em um dos maiores desafio de operação da TI, tornando necessário evoluir na orquestração de ambientes híbridos e multicloud. Neste cenário, as empresas investirão na modernização de aplicações e dando mais agilidade para o desenvolvimento de novos serviços digitais.

A IDC calcula que os gastos com infraestrutura (IaaS) e plataforma (PaaS) em nuvem pública no Brasil devem atingir US$ 3 bilhões, o que representa um crescimento de 46,5% em relação a 2020. O modelo de nuvem privada também cresce, totalizando US$ 614 milhões em 2021. O maior crescimento vem de nuvens privadas como serviço (DCaaS), que avançarão 15,5% se comparado com o ano passado. 

O novo contexto de nuvem impulsiona soluções de segurança. Ramos apontou que diante do cenário atual, a maioria das organizações entendeu que seu ambiente que não estava preparado para lidar com segurança em nuvem e com a diversidade e a dispersão de endpoints. 

A visibilidade e a proteção dos dados também ganham atenção, seja pelo incremento recente dos ataques, seja pelas necessidades trazidas pela LGPD. Segundo a IDC, apenas 50% das empresas dizem estar em estágios avançados de adequação à lei de proteção de dados pessoais e dois terços indicam que seu maior desafio é o mapeamento e controle das informações.

Em sua análise, a IDC apontou que as empresas terão de introduzir soluções que tragam maior inteligência (como IA e ML), permitindo maior automação da análise dos eventos de segurança. Soluções com aderência aos ambientes de nuvem terão que ser avaliadas e colocadas para funcionar, fazendo com que as estratégias priorizem a proteção de dados e de workloads.

A previsão da IDC é que, em 2021, os gastos com soluções de segurança (seja hardware ou software) ultrapassarão US$ 900 milhões no Brasil, alta de 12,5% em relação ao ano anterior. Já os serviços gerenciados de segurança (MSS) totalizarão US$ 615 milhões no mesmo período. Soluções de segurança na nuvem crescerão 29% em 2021 e corresponderão a 23% das soluções de segurança buscadas no mercado, diz a IDC. 

Borda ganha importância 

Como consequência da modernização da infraestrutura, investimentos em edge ganham relevância, uma vez que permitem que empresas melhorem a automação e a otimização de processos, criando um ambiente de negócios mais eficiente e seguro. Saboia assinalou que a demanda por soluções na ponta proporciona oportunidades de crescimento para OEMs de hardware, ISVs, Cloud, conectividade envolvendo LTE, 5G, LPWAN e fibra, CDNs que estão aproveitando a rede existente, provedores de colocation posicionando estrategicamente a infraestrutura, entre outros. 

Em sua apresentação, Luciano Saboia, líder para práticas de telecomunicações da IDC, ressaltou que edge está emergindo como a tecnologia preferida para conduzir a automação de processos em vários setores e trazer novas oportunidades de eficiência, resultando em custos mais baixos. Para a IDC, desenvolver ferramentas para a migração, integração e gerenciamento automatizado de aplicações e dados em implantações de cloud tanto on-premises como off-premises serão comuns. Para o Brasil, a IDC estima um CAGR (2019-2023) de 16% em relacionado ao edge computing. 

Transformação das plataformas

Outra consequência da crescente importância dos ambientes de nuvem é a aceleração da transformação das plataformas de gestão. Atualmente, segundo a IDC, quase 43% das empresas pretendem levar algum de seus sistemas de gestão para a nuvem nos próximos 24 meses e, para 31% das organizações, substituir uma aplicação atual por uma em SaaS é a abordagem preferencial para modernização de workloads. 

Esta mudança exigirá maior atenção dos times técnicos sob diversos aspectos: integração de dados, segurança de dados, controle de acessos, gestão de custos/contratos etc. Com isso, as áreas de negócio passarão a se preocupar cada vez mais sobre as capacidades de integração entre as diversas soluções na nuvem. 

Em números, a IDC projeta que os gastos com soluções ERP (considerando funcionalidades como finanças, contabilidade, gestão de pessoas, gestão de ativos, controle de produção, logística, cadeia de suprimentos, entre outras), crescerão 12,6% em 2021, chegando a US$ 3,4 bilhões, com SaaS representando 14%. No âmbito de experiência do usuário (incluindo soluções de CRM, gestão de marketing, força de vendas, comércio digital, soluções de atendimento, etc.), os gastos em 2021 devem atingir US$ 1,4 bilhão, o que representa um crescimento de 21,3% em relação a 2020.


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