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Recorde de transações Pix aponta novos comportamentos financeiros da população
Por: Redação da Abranet - 16/05/2022

O Pix está sendo fundamental para que a sociedade evolua cada vez mais para hábitos digitais no cenário financeiro. A avaliação é do especialista em regulação, José Luiz Rodrigues, e foi feita após o Pix bater recorde de transações em um único dia, em 6 de maio, com 73.198.432 operações em 24 horas, segundo dados do Banco Central.

Em nota à imprensa, Rodrigues analisou que, quando houve a implementação do Pix, o desafio foi além de oferecer um meio de pagamento mais rápido e seguro: houve também o desafio de mudar o comportamento predominante de uma população que atua em massa com o dinheiro físico. 

Se, no primeiro momento, o Pix conseguiu superar as transações via TED, DOC e boleto, agora, segundo o especialista que é sócio da JL Rodrigues & Consultores Associados, estamos falando de uma sociedade que está incluindo o pagamento digital não só nas transações que já realizava virtualmente, mas no seu dia a dia.

Para ele, o crescimento do Pix também afetou a gestão dos negócios, já que houve uma mudança na dinâmica dos empreendedores, principalmente os pequenos, de possuírem menos dinheiro em caixa. Outra modificação ocorreu nas instituições financeiras, alterando a receita obtida na prestação de serviços de pagamentos: se antes elas ganhavam por valores transacionados, hoje elas ganham pela quantidade de transações.

Em paralelo ao Pix, ele lembra que outros serviços financeiros seguem em desenvolvimento com a ajuda de ambientes como o sandbox regulatório, um ambiente supervisionado no qual empresas tradicionais e fintechs podem apresentar projetos e testar tecnologias financeiras sob supervisão dos órgãos reguladores. 

Rodrigues também ressaltou a evolução do open banking para o open finance, apontando que o primeiro foi, basicamente, a integração dos serviços financeiros em um mesmo ambiente digital, onde o compartilhamento e a migração de dados ganham segurança e praticidade. Já open finance, explicou, é quando são compartilhados dados além dos tipicamente bancários, como seguro e previdência, por exemplo. Segundo ele, trata-se de algo literalmente revolucionário, porque afetará a vida de todos os consumidores de serviços financeiros — e a tendência é que as pessoas tenham cada vez mais produtos e serviços à sua disposição, desenvolvidos para atender diferentes necessidades e perfis de consumo.

José Luiz Rodrigues concluiu que o mercado financeiro brasileiro chegou a um patamar digital que só tende a evoluir e a incluir pessoas, mas para que isso aconteça é necessário atrelar tecnologia à educação financeira. Juntamente com a disponibilidade do Pix, das instituições de pagamentos, dos iniciadores de pagamentos e de outros serviços, é necessário proporcionar condições para que a população faça uso dessas ferramentas e dos serviços oferecidos por esses players, justificou, dando como exemplo que as pessoas tenham acesso à internet e a pacotes de telefonia mais baratos.

Ele disse acreditar que o uso do dinheiro físico permanecerá por um longo tempo, mas tende a diminuir à medida que as pessoas tenham mais acesso a dispositivos e internet, e assim mudar hábitos culturalmente estabelecidos.

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