Publicada em: 13/09/2021 às 08:27
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Plano de negócios e governança são ingredientes para quem quer acesso ao mercado de capital
Roberta Prescott

Contar com um bom plano de negócios, ter a gestão profissionalizada, prezar por transparência e governança são algumas das dicas que têm sido repetidas para que provedores de internet se tornem mais atraentes para o mercado de capital. A consolidação de ISPs foi tema do 25º Webinar RTI,no qual especialistas de empresas de investimentos e bancos falaram sobre como tornar a operação atrativa aos olhos dos investidores

Há bastante tempo trabalhando com ISPs, Valder Nogueira, do Santander, alerta que, para ficarem atraentes aos olhos de investidores, as empresas provedoras de internet precisam ter estruturado um bom plano de negócios e estabelecer governança. "Hoje, a governança é quase mantra, mas há dez anos era escassa”, disse.  

O Santander esteve por trás do IPO da Brisanet. 

“A mensagem que eu deixo é tenha seu modelo de negócios, mostre como se diferencie dos outros, mostre, por exemplo, qual a fortaleza você tem, quais são as governanças que e conte a sua história”, detalhou Nogueira. 

Segundo ele, para acessar crédito e capital, é necessário explicar o negócio como um todo, apontando o valor da rede, como se dá a integração dos ativos, como é a governança fiscal. “Existe, sim, um mercado pujante, ávido por novos players, mas dentro de uma história bem contada”, destacou. 

Mercado aquecido 

O mercado de ISPs e fibra ótica está aquecido já há algum tempo. Leonardo Moura, da XP Inc., assinalou que a aceleração dos pequenos provedores de internet na pandemia chamou muito a atenção, mas ainda é um contingente de empreendedores que não acessa capital de investimentos e até tem um acesso a crédito difícil. Para Moura, trata-se de um cenário promissor. 

“Vemos que o mercado está explodindo, há um crescimento vertiginoso muito em função da demanda por fibra ótica e por velocidade. Somos investidores de 2018, começamos com uma pequena empresa e somente neste ano fizemos sete investimentos. Já estamos partindo para mais alguns para podermos caminhar e, se tudo der certo, entregar mais de 1 milhão de assinantes no fim deste ano”, assinalou Felipe Matsunaga, do fundo de private equity EB Capital que tem como foco a fibra ótica. Hoje a EB Capital soma 800 mil acessos, tem 80 mil quilômetros de rede em fibra com um mix de receita que inclui B2B e B2C. 

O BTG Pactual também fincou seu pé no setor. Foi em 2014, quando investiu na GlobeNet. Atualmente, o BTG Pactual detém 100% do capital da empresa e, mais recentemente, venceu o leilão da Infraco, a subsidiária de fibra ótica da Oi. “Em julho, vencemos o leilão da Infraco, o que é vital para criação de uma rede neutra de fibra ótica”, destacou Pedro Henrique Fragoso, do BTG Pactual. Ele afirmou ainda que o banco investiu quase R$ 13 bilhões para ter a participação de controle e pretende colocar aproximadamente R$ 30 bilhões por meio de um programa de Capex nos próximos cinco anos.  

O que eles buscam

Mas qual é o perfil das empresas que estão no radar dos investidores? Ainda que o foco possa ser diferente, em comum eles querem firmas estruturadas. “Antes, você tinha uma enorme informalidade entre os provedores de internet. Mas o mercado mudou, está mais robusto, basta ver os ISPs abrindo capital. Exigimos governança e que empresa esteja preparada. Tem de se estruturar, ter governança, contabilidade, porque, quanto mais estruturado e correto for, mais fácil e próximo fica da valorização”, detalhou  Felipe Matsunaga, da EB Capital.

Matsunaga contou que a EB Capital olha todo o mercado e dá mais valor a quem tem backbone mais próximo à sua operação. O fundo também avalia empresas voltadas tanto para consumidor final (B2C) quanto corporativo (B2B). “A mensagem é: se estruturem. O valuation das empresas que estão tradeadas não será o que vocês vão receber e o gap entre as duas valorações é cada vez curto, se você for estruturado”, resumiu. 

Pedro Henrique Fragoso, do BTG Pactual, alertou que o dinheiro de captação exige algumas coisas que a informalidade inibe e, portanto, arrumar a casa é importante para dar o salto de quando para de crescer com capital próprio, de giro, e começa receber aportes de longo prazo. “Esse setor foi muito desacompanhado, não era tão sexy e era desatendido, mas agora está superaquecido por conta do movimento de banda larga”, disse.  


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