Pesquisa da Fecomercio mostra que usuários da internet acham Lei Carolina Dieckmann insuficiente

04 de agosto de 2014

por Roberta Prescott

A lei n° 12.737/2012, que alterou o Código Penal para tipificar como infrações os delitos digitais e ficou popularmente batizada de “Lei Carolina Dieckmann”, é conhecida por 62,3% dos respondentes da Pesquisa de Crimes Eletrônicos 2014, feita pela Federação do Comércio (Fecomercio) sobre o comportamento dos usuários na internet entrevistando mil usuários no município de São Paulo em maio deste ano. No entanto, 86% deles acham que a lei não é suficiente. A pesquisa levantou também que 18% dos entrevistados já foi vítima ou teve alguém da família vítima de crimes eletrônicos, sendo a clonagem de cartão de crédito ou débito apontada por 44,5%. Compras em uma empresa-fantasma foram apontadas por 16,5%; uso indevido de dados pessoais por 14,8%; compras indevidas realizadas com cartões de crédito por 9,3% e clonagem de página pessoal em sites de relacionamento por 1,6%. A pesquisa também questionou se os usuários temem que ocorram fraudes e ataques em seus dispositivos pessoais e 80,8% disseram que se preocupam, mas o número era maior em 2013: 86,4%. “As pessoas estão se sentindo mais seguras”, apontou explicou Renato Opice Blum, presidente do Conselho de Tecnologia da Informação da FecomercioSP, durante o VI Congresso Fecomercio de Crimes Eletrônicos. No entanto, 79,3% afirmaram que os sites devem guardar registro de acesso, ainda que 66,6% não leem contratos ou termos de uso na íntegra. “Com o Marco Civil da Internet, este panorama deve melhorar, porque os contratos devem ser simplificados”, destacou Opice Blum. Ainda neste tema, apenas 30,4% dos respondentes afirmaram confiar na guarda de dados pessoais pelos sites que solicitam a informação. “A quantidade de informação que vaza é imensa. Muitas empresas já tiveram problemas de vulnerabilidade; e talvez esta seja hoje a principal preocupação. O que fazer para gerir isto, porque não vai acabar?”, questionou o presidente do Conselho de Tecnologia da Informação da FecomercioSP. A questão ganha complexidade ao se analisar que 45,5% dos respondentes concordaram que as empresas podem compartilhar as informações pessoais com outras empresas sem sua expressa autorização. “Mesmo sem o Marco Civil da Internet, a interpretação do código do consumidor já era de que se deve ter anuência e em destaque”, pontuou Opice Blum.    Redes sociaisA pesquisa também levantou o uso das redes sociais e mostrou que houve um aumento no porcentual das pessoas que afirmaram fazer uso: neste ano, 87,8% disseram acessar redes sociais, pouco mais que os 84,1% registrados em 2013. A maioria (61,85%) acessa em casa; 6,26%, em casa e no trabalho; e 16,06% a partir de dispositivos móveis e fora do trabalho 15,72%. O Facebook lidera com preferência de 98,1% das pessoas, seguido do Twitter (14,1%), Instagram (12,8%), WhatsApp (12,5%), Skype (8%), LinkedIN (7,6%) e Orkut (1,4%). O tempo médio de conexão de até uma hora foi apontado por 40,3% dos entrevistados; entre uma e duas horas por 19,1%; entre duas e quatro horas por 10,8% e mais de quatro horas por 29%.  

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