Sete milhões voando pela janela. E não foi culpa do Dólar (desta vez...)

04 de agosto de 2025

Sete milhões voando pela janela. E não foi culpa do Dólar (desta vez...)

O custo médio de uma violação de dados no Brasil atingiu R$ 7,19 milhões, uma alta de 6,5% frente aos R$ 6,75 milhões em 2024. Na comparação entre países analisados pelo relatório anual “Cost of a Data Breach” (CODB), com a métrica em dólares, o Brasil aparece com um custo médio de US$ 1,22 milhão em 2025.

Os principais vetores que colaboraram para a alta no prejuízo das empresas incluem:

  • Phishing – é “disparado” o acesso inicial de criminosos digitais, representando 18% das violações, resultando em um custo médio de R$ 7,18 milhões.
  • Cadeia de suprimentos/fornecedores – terceiros com proteção inferior tornam-se o elo frágil, representando 15%, com custo médio de R$ 8,98 milhões.
  • Exploração de vulnerabilidades – serviços expostos, erros internos (acidentais), falhas não corrigidas são alvos fáceis, assim como credenciais comprometidas e infiltrados mal-intencionados, demonstrando a ampla gama de desafios enfrentados pelas organizações na proteção de dados.

“O ponto central não é o setor mais atacado, e sim aquele que traz maiores custos para a empresa, quando ela sofre a violação”, explicou Fernando Carbone, sócio de Serviços de Segurança da IBM Consulting na América Latina, durante apresentação do estudo. Em sua análise do relatório produzido pelo Instituto Ponemon, com publicação da IBM, ele disse que os setores que incorrem em custos mais altos são:

  • Saúde – custo médio de R$ 11,43 milhões. “Dados médicos têm valor muito alto para extorsão”, explica Carbone.
  • Serviços – custo médio de R 8,92 milhões por ataque. “Estamos falando de exposição de propriedade intelectual/segredos de negócio”, diz.
  • Finanças – custo médio de R$ 8,51 milhões por violação. “Aqui os criminosos estão olhando para dados bancários e financeiros.”

No Brasil, as organizações que adotam extensivamente recursos e ferramentas de Inteligência Artificial (IA) integradas com automação relataram custos médios de R$ 6,48 milhões, enquanto aquelas com implementação limitada apresentaram custos de R$ 6,76 milhões. Para empresas que ainda não utilizam essas tecnologias, o custo médio subiu para R$ 8,78 milhões.

 

IA aumenta segurança, mas falta governança

 

Ao analisar os elementos que podem reduzir os impactos financeiros de uma violação de dados, o relatório aponta que uma das iniciativas de maior impacto é a implementação de Inteligência de Ameaças, que reduziu custos em uma média de R$ 655.110, e o uso de tecnologia de Governança de IA, que levou a uma redução média de R$ 629.850. E aí vem o problema: apenas 29% das organizações estudadas no Brasil fazem uso dessa tecnologia para mitigar riscos a modelos de IA.

O relatório da IBM mostra que, de modo geral, as organizações ignoram ou não priorizam a governança e a segurança de IA, com 87% das organizações estudadas no Brasil relatando não possuir políticas de governança de IA em vigor e 61% sem controles de acesso à IA.

 

Ao mesmo tempo em que a IA ajuda a reforçar e otimizar os sistemas de segurança cibernética das empresas, também pode acrescentar lacunas, que são exploradas nos ataques cibernéticos. A versão global do relatório “Cost of a Data Breach”, conduzida pelo Instituto Ponemon e publicada pela IBM, estudou 600 organizações de 17 setores, em 16 países e regiões, incluindo o Brasil, e entrevistou 3.470 líderes de negócios de segurança e executivos da alta liderança, como CEOs e CISOs. O estudo aponta que 63% das organizações violadas não possuem políticas de governança de IA (ou estão desenvolvendo), o que eleva risco e complexidade. Uma em cada 6 violações teve IA explorada pelos atacantes, com phishing gerado por IA (37%) e deepfakes (35%) em destaque.

 

Em 97% das violações de segurança relacionadas à IA, faltavam controles de acesso adequados, comprovando que a adoção da IA acontece em um ritmo mais rápido do que o estabelecimento da governança. Entre aquelas com políticas, apenas 34% realizam auditorias regulares para detectar o uso não autorizado de IA. Tanto o uso da IA Oculta (Shadow AI) quanto a falta de governança estão aumentando os custos com violações.

 

Carbone também citou a Shadow AI como uma questão de risco e fator de custo. O estudo mostrou que o uso não autorizado de ferramentas de IA Oculta gerou um aumento médio de R$ 591.400 nos custos. E a adoção de ferramentas de IA (internas ou públicas), apesar de seus benefícios, adicionou um custo médio de R$ 578.850 às violações de dados. 



Veja mais dados sobre o relatório no site da The Shift.


Conteúdo originalmente produzido e publicado por The Shift. Reprodução autorizada exclusivamente para a Abranet. A reprodução por terceiros, parcial ou integral, não é permitida sem autorização.

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