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Usuários da internet aumentam, mas disparidades aprofundam a exclusão digital

18 de novembro de 2025

por Roberta Prescott

Usuários da internet aumentam, mas disparidades aprofundam a exclusão digital

A população mundial online cresceu em mais de 240 milhões de pessoas em 2025, de acordo com o relatório Fatos e Números 2025 divulgado pela União Internacional de Telecomunicações (UIT). As novas estimativas confirmam o progresso contínuo na expansão da conectividade digital, ao mesmo tempo que apontam para diferenças na qualidade que impactam a forma como os usuários se beneficiam do uso da internet.


Globalmente, estima-se que 6 bilhões de pessoas — ou três quartos da população mundial — estejam usando a internet em 2025, um aumento em relação à estimativa revisada de 5,8 bilhões em 2024. No entanto, 2,2 bilhões de pessoas permanecem offline, uma queda em relação à estimativa revisada de 2,3 bilhões em 2024. As conclusões do relatório destacam a importância da infraestrutura digital, de serviços acessíveis e do treinamento de habilidades para garantir que todos possam realmente se beneficiar de tecnologias avançadas, como a inteligência artificial (IA).


Para a secretária-geral da UIT, Doreen Bogdan-Martin, em um mundo onde as tecnologias digitais são essenciais para grande parte da vida cotidiana, todos devem ter a oportunidade de se beneficiar da conexão online. A exclusão digital, apontada pelo relatório, destaca velocidade, confiabilidade, acessibilidade e habilidades como aspectos que devem ser priorizados no trabalho da UIT para alcançar a conectividade universal.


Mas há desafios. Pela primeira vez, o relatório Fatos e Números 2025 estima o número total de assinaturas 5G representando cerca de um terço, aproximadamente 3 bilhões, de todas as assinaturas de banda larga móvel no mundo. Em 2025, estima-se que as redes 5G cubram 55% da população mundial, refletindo o forte impulso das tecnologias móveis avançadas. A cobertura, no entanto, permanece desigual, com 84% das pessoas em países de alta renda tendo acesso ao 5G, em comparação com apenas 4% em países de baixa renda.


Embora o relatório mostre que os serviços 4G e 3G estão disponíveis para a maior parte da população global, eles não são os mais adequados para acompanhar o avanço das tecnologias. As estimativas revelam profundos contrastes na intensidade de uso como um indicador da lacuna de qualidade. Um usuário típico em um país de alta renda gera agora quase oito vezes mais dados móveis do que um usuário em um país de baixa renda.


É preciso também tornar a conectividade universal e significativa, com acessibilidade e as competências digitais continuando a ser essenciais para se perseguir o objetivo de todos poderem acessar à Internet com um serviço de alta qualidade, a um custo acessível, sempre e onde precisarem. Globalmente, o preço médio de um pacote de banda larga móvel apenas para dados diminuiu, mas o acesso continua inacessível em cerca de 60% dos países de baixo e médio rendimento.


Os dados também sugerem que a maioria dos usuários da Internet possui competências básicas, enquanto as capacidades mais avançadas — como a segurança online, a resolução de problemas e a criação de conteúdo digital — estão a ser desenvolvidas mais lentamente. O desenvolvimento digital permanece intimamente ligado ao desenvolvimento econômico, gênero e localização.


O relatório destaca a persistência de diversas disparidades digitais:

  • 94% das pessoas em países de alta renda usam a internet, em contraste com apenas 23% em países de baixa renda;
  • 96% das pessoas offline vivem em países de baixa e média renda;
  • 77% dos homens estão online, em comparação com 71% das mulheres;
  • 85% das pessoas em áreas urbanas estão online, contra 58% em áreas rurais;
  • 82% dos jovens de 15 a 24 anos usam a internet, em comparação com 72% do restante da população. 
     

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