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Depois de focar na competição, BC se concentra na segurança do sistema

03 de dezembro de 2025

por Roberta Prescott

Depois de focar na competição, BC se concentra na segurança do sistema

“O pêndulo do Banco Central do Brasil, que estava do lado da competição, agora, está pendendo para o lado da segurança”, resumiu Felipe Comparsi, consultor do Departamento de Competição e de Estrutura do Mercado Financeiro (Decem) do BC, ao debater a retrospectiva regulatória em evento promovido pela Abranet no escritório da Pinheiro Neto Advogados. 

 

Comparsi detalhou que, depois de dez anos de atuação no departamento de pagamento, em que o pêndulo ficou concentrado na competição e o Banco Central do Brasil conseguiu desenvolver mercado de pagamento e promover a inclusão financeira, ultimamente, o BC está focado em controles de segurança.

 

Nessa mesma linha, Carol Conway, da presidente do Conselho Consultivo na Abranet, frisou que a preocupação é olhar o risco, a rastreabilidade e a solidez no sistema como um todo, “para que a gente tenha certeza que pode confiar no próximo elo da cadeia”.

 

Ficou claro para os debatedores que o movimento do BC vai na direção de exigir controles e segurança internos. “O movimento agora é outro e é muito mais conservador. A gente percebe aqui no escritório que alguns pedidos, por exemplo, de SCD [Sociedade de Crédito Direto] querendo virar banco, têm sido  negados pelo governo. O Banco Central vai querer melhorias e controles e todo mundo tem que se conscientizar. Faz parte do processo, do freio de arrumação”, ponderou Bruno Balduccini, sócio da Pinheiro Neto Advogados. 



Falando sobre o papel da Associação, Conway destacou a colaboração, tanto dos associados de tecnologia, telecom, setor financeiro e data center, como para fora da associação com a liderança do fórum técnico das entidades do setor financeiro de pagamentos. “Isso nos permite atuar em rede e estabelecer mecanismos mínimos de governança para que a gente possa trabalhar na resiliência do mercado como um todo e interpretação das regras, porque são muitas regras”, apontou. 



Com o Banco Central aprimorando regras de segurança cibernética da rede da conexão do sistema financeiro nacional, a Abranet também tem colocado o tema da segurança como prioridade. “Segurança é um tema que atingiu todo o mercado. Olhando para os bancos tradicionais, mais de 50% dos episódios visaram a atacar os bancos tradicionais. A outra metade, bancos nativos digitais. Um estudo da Ernst & Young mostra que a maior parte das vulnerabilidades vem dos usuários e por meio da engenharia social”, disse.

 

Dessa forma, para manter a resiliência e a segurança do sistema, é preciso primar por redes seguras — e isso envolve todos os atores. “Você tem que olhar para todos os elos e olhar também para a questão da engenharia social, das contas laranja, que são os empréstimos de contas ,e enfrentar esse elo do usuário e o elo das redes”, assinalou Conway. 



Lucas Alves Freire, procurador-geral-adjunto do Banco Central, salientou a necessidade de haver normas primando pelo equilíbrio entre segurança e inovação de mercado. Ele citou como exemplos o aumento dos requisitos e controles para o credenciamento de provedor de serviços de tecnologia da informação (PSTI; limites para Pix/TED, nova metodologia de capital mínimo e autorização para IPs iniciar prestação de serviços.

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    O Banco Central (BC) informou que, em 50 dias de projeto piloto, 500 transações foram bem sucedidas no Drex, a moeda digital brasileira, e 11 instituições operam na rede. Segundo a autoridade monetária, os participantes do programa começaram a ser incorporados à plataforma no fim de julho. De lá para cá, vários tipos de operações têm sido simuladas, tanto no atacado quanto no varejo, disse o BC. De acordo com a autarquia, a primeira emissão de títulos públicos federais na plataforma Drex para fins de simulação foi realizada nessa segunda-feira (11). Cada um dos participantes já habilitados recebeu uma cota da versão para simulação dos títulos públicos e, a partir de então, podem iniciar também a simulação de procedimentos de compra e venda desses títulos entre eles e entres clientes simulados, afirmou. Vários tipos de operações têm sido simuladas tanto no atacado quanto no varejo – como criação de carteiras, emissão e destruição de Drex e transferências simuladas entre bancos e entre clientes. Todos os participantes conectados já realizaram ao menos alguns desses tipos de transações, sendo que cerca de 500 operações foram conduzidas com sucesso. A primeira fase do piloto deve ser encerrada no meio de 2024, com o desenvolvimento ainda de outras facilidades na fase seguinte. A cada semana, um tipo novo de operação é realizado pelas instituições participantes. Todas essas transações são apenas simuladas e se destinam ao teste de infraestrutura básica do Drex, que ainda não conta com a soluções de proteção à privacidade que serão testadas ao longo do Piloto Drex, ressaltou o BC.

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