IA obriga redes móveis a repensarem o uplink

21 de janeiro de 2026

por Da Redação Abranet

IA obriga redes móveis a repensarem o uplink


Com o avanço da IA, redes móveis enfrentam mudanças no tráfego de dados e novos desafios de infraestrutura. Isso porque o padrão de uso de dados móveis — historicamente dominado por atividades que demandam download de informação — está começando a mudar; e a inteligência artificial (IA) é um dos principais motores dessa transformação. Por muito tempo, navegar na web, assistir a vídeos e acessar às redes sociais concentraram o uso de dados em direção aos dispositivos. Mas, com a adoção crescente de ferramentas de IA, a direção contrária do tráfego — o uplink (envio de dados do dispositivo para a rede) — está se tornando cada vez mais relevante.


Dados analisados pelo Ookla Speedtest Intelligence mostram que as velocidades de upload aumentaram globalmente entre 2021 e 2025, impulsionadas pela liberação de espectro adicional e avanços tecnológicos em redes 4G e 5G. No entanto, apesar desse crescimento, a proporção da capacidade total de rede dedicada ao uplink não cresceu na mesma intensidade — em alguns mercados, essa fatia até diminuiu, enquanto as operadoras continuam priorizando recursos para download, refletindo o predominante padrão de consumo de dados.


A análise abrangeu 17 grandes operadoras de telefonia móvel ao redor do mundo. O relatório indica que as operadoras dos Estados Unidos destinam a menor porcentagem de capacidade ao uplink, ao passo que operadoras chinesas reservam uma porção relativamente maior do espectro para uploads. Essa diferença aponta para prioridades e estratégias distintas diante das demandas emergentes de tráfego em diferentes regiões.


No mercado norte-americano, dados de testes drive-test da plataforma Ookla RootMetrics revelam que grandes operadoras — como T-Mobile, AT&T e Verizon — alocaram aproximadamente 20 % dos “slots” de rede TDD (time division duplex) de banda média para tráfego de uplink no final de 2025. As redes TDD permitem flexibilidade entre uplink e downlink, mas essas empresas ainda tendem a favorecer configurações voltadas ao download.


Esse modelo de alocação agora enfrenta desafios com casos de uso emergentes. Serviços habilitados por IA — como óculos inteligentes que enviam fluxos contínuos de vídeo para análise em nuvem, ferramentas de realidade aumentada em tempo real e assistentes avançados em dispositivos móveis — podem gerar fluxos estáveis de dados de uplink, bem diferentes dos uploads curtos e esporádicos do passado. Essa mudança pode pressionar redes projetadas sob a suposição de uso centrado em download.


Aplicações de próxima geração podem intensificar ainda mais a demanda por uplink. Para operadoras e reguladores, o desafio atual não se restringe apenas a aumentar as velocidades de upload, mas também a repensar como os recursos da rede são alocados, otimizados e planejados, especialmente à medida que a IA passa de tecnologia emergente a parte integrante do uso móvel cotidiano.
 

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