O consumidor virou híbrido. O marketing que lute

23 de fevereiro de 2026

O consumidor virou híbrido. O marketing que lute

O uso combinado dos mecanismos de busca com a IA Generativa (GenAI) está expandindo as possibilidades que os consumidores têm de encontrar o que querem no Brasil. Para as marcas, isso representa uma mudança de lógica de interação, coleta de informação e decisão da parte dos clientes. Não é somente a busca do Google; ela agora se soma com IA e o ChatGPT, usados conforme a intenção, o contexto e a profundidade da pesquisa, segundo um estudo feito pela Cadastra em parceria com a Similarweb, que considerou dados de janeiro de 2023 a agosto de 2025, cobrindo 600 sites e mais de 12 mil palavras-chave monitoradas.

 

O relatório “O Futuro da Busca: como a IA Generativa está redefinindo o caminho até o consumidor” aponta que, em 2025, buscas pelo Google registraram leve retração de 0,88%, com 38,57 bilhões de visitas, enquanto o ChatGPT cresceu 71,9%, atingindo 1,97 bilhão de acessos. O documento coloca o Brasil como terceiro maior mercado global de tráfego de IA, com 4,89%, atrás dos Estados Unidos (15,12%) e Índia (9,39%).O ChatGPT tem uma fatia relevante no tráfego de IA chatbots no Brasil (67%). Entre agosto de 2024 e agosto de 2025, o acesso à ferramenta cresceu 260,7%. Em 2025, o ChatGPT recebeu em média 252,9 milhões de visitas mensais e 24,1 milhões de visitantes únicos. Esses números indicam uma adoção real, massiva e com impacto direto em tráfego, descoberta e potencial conversão de compra de produtos.

 

No período analisado pela Cadastra, os 10 maiores e-commerces do Brasil receberam mais de 6,1 milhões de visitas originadas do ChatGPT.

 

Top 10 e-commerces (referral do ChatGPT)

  1. Mercado Livre – 1,8 milhão
  2. OLX – 914,1 mil
  3. Amazon – 840,9 mil
  4. Magalu – 803,5 mil
  5. Shopee – 634,3 mil
  6. Temu – 406,8 mil
  7. Netshoes – 276,7 mil
  8. Americanas – 201,8 mil
  9. Casas Bahia – 167,5 mil
  10. AliExpress – 120 mil

 

Na prática, o que muda? As perguntas ficam mais longas, detalhadas e situacionais. As sessões duram mais de 7 minutos e os assistentes de IA Generativa são capazes de lembrar histórico e preferências para gerar respostas personalizadas. A IA aprende com o feedback do consumidor e passa a avaliar marcas ativamente. O estudo mostra que as consultas feitas em plataformas de IA têm, em média, 23 palavras, em contraste com as quatro palavras que dominavam o SEO tradicional. E, como já mostramos anteriormente na The Shift, essa mudança implica muito mais do que uma disputa por market share. É o ponto de entrada da Economia da Intenção.

 

 

O que o GEO exige das marcasDiante dessas transformações, o relatório destaca que as marcas precisam se antecipar e adotar práticas que vão além do SEO tradicional. Entra em cena o GEO (Generative Engine Optimization), um conjunto de estratégias para otimizar uma página ou site para os ambientes e features de IA Generativa (no caso, o LLM). O resultado é maior visibilidade em outputs gerados por IA, incluindo respostas em destaque e citação como fonte confiável. Para entender melhor essa relação, vale conferir o podcast com Diego Ivo, CEO da Conversion, sobre SEO e GEO.

 

Segundo o estudo da Cadastra:

  • A visibilidade em IA Generativa dependerá da densidade de menções, satisfação de prompts, presença em respostas de chats e integração em fluxos de conversa/interação.
  • Conteúdos devem estar estruturados: FAQs, listas, tabelas, comparativos, glossários, pois os LLMs favorecem formatos que podem responder diretamente.
  • Palavras-chave de longa cauda (keywords com CPC US$2-5) geram 32% de AI Overview, enquanto keywords acima de US$10 geram cerca de 17%.
  • A própria Google Search Generative Experience (SGE) aparece como elemento híbrido: no relatório, 43% dos resultados de “AI Overview” apontam para o Google.

Veja o impacto nas categorias de varejo no artigo completo.

 


Conteúdo originalmente produzido e publicado por The Shift. 
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